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“Eles morreram para nós podermos viver em liberdade”

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Reuters

Pouco antes de um homem armado ter tentado invadir uma esquadra da polícia em Paris, o presidente francês lembrou as vítimas do ataque ao Charlie Hebdo. “É preciso que os procedimentos das forças de segurança sejam adaptados à ameaça terrorista”

Um ano após os ataques ao jornal satírico “Charlie Hebdo”, François Hollande discursou esta quarta-feira numa cerimónia de homenagem às 12 vítimas mortais, manifestando a sua “gratidão” pelo trabalho das forças de segurança e garantindo que o combate ao terrorismo vai continuar.

“Nós nunca nos esqueceremos deles. Eles morreram para nós podermos viver em liberdade”, declarou o Presidente francês, referindo-se a Clarissa Jean-Philippe, Franck Brinsolaro e Ahmed Merabet - os três agentes mortos na sequência do ataque terrorista à redação do “Charlie Hebdo”.

As declarações do governante ocorreram pouco antes de um homem armado - com uma faca e um suposto cinto de explosivos (que viria a verificar-se ser falso) - ter tentado invadir uma esquadra da polícia no quarteirão da Goutte-d'Or, no bairro número 18 da capital francesa.

O chefe de Estado Gaulês defendeu que uma agressão a um elemento da autoridade não constitui apenas um ato de delinquência, mas um “ataque contra a República”.

Na cerimónia de homenagem às vítimas do ataque ao “Charlie Hebdo”, Hollande assegurou ainda que o país vai continuar a lutar contra o terrorismo e a realizar operações de busca por jiadistas suspeitos.

Referiu ainda que foram registadas 25 infrações relacionadas com terrorismo e apreendidas 400 armas no país - 40 delas armas de guerra - desde os atentados do passado dia 13 de novembro. Além disso, “50 estrangeiros foram impedidos de entrar no país”, disse Hollande, citado pelo “Le Figaro”

“Além das alterações legislativas, é preciso que os procedimentos das forças de segurança sejam adaptados à ameaça terrorista. Agora temos que lidar com veteranos, habituados à violência extrema, determinados a matar, mesmo à custa das suas próprias vidas, e cuja ação é coordenada a partir do estrangeiro, onde são treinados e comandados pelo autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) e que aproveitam outros meios de comunicação”, disse Hollande.

Sustentou também que é necessário uma “coordenação perfeita” entre os vários serviços de segurança franceses no combate ao terrorismo.

“Para as nossas liberdades serem garantidas, a luta deve ser conduzida contra os que nos querem atacar. A França sabe o que perderia se negligenciasse os valores em que se baseia", acrescentou.

Desde os ataques do dia 13 de novembro, em Paris - que causou 130 mortos e 350 feridos -, a França encontra-se em estado de emergência, que foi prolongado por três meses no Parlamento.

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    Homem armado com uma faca e que transportava um cinto de explosivos fictício foi morto a tiro quando tentava entrar no comissariado da polícia do 18.º bairro de Paris. Ataque ocorreu pouco depois de François Hollande ter discursado e revelado o reforço da luta contra o terrorismo