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O mistério dos cinco livreiros desaparecidos

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ANTHONY WALLACE/ AFP/ Getty Images

Lee Bo é apenas o mais recente dos desaparecimentos em Hong Kong ligados à editora Mighty Current, conhecida por disponibilizar livros proibidos na China. De outubro até agora, são cinco as pessoas em parte incerta e nem uma suposta carta de Lee Bo afasta a suspeita de todos terem sido sequestrados pela polícia chinesa

Uma carta supostamente escrita e enviada por fax por Lee Bo a um colega da Causeway Books, mais do que esclarecer, veio adensar o mistério em torno do desaparecimento do livreiro, o quinto a quem se perdeu o rasto em Hong Kong, num caso que está a provocar crescente contestação interna e preocupação internacional.

Lee Bo, de 65 anos, desapareceu há cerca de uma semana. Segundo a sua mulher, saiu de casa na noite de 30 de dezembro, depois de alguém lhe ter encomendado pelo telefone uma série de volumes de um determinado livro. Terá ido buscá-los ao armazém da empresa, situado num bairro nos arredores de Hong Kong, e não voltou. À polícia, Choi Ka-ping disse ainda que a última vez que o marido deu notícias - num telefonema - Lee disse estar na cidade de Shenzhen a colaborar numa investigação sobre os outros desaparecimentos. Avisou que ia estar ausente durante algum tempo, mas a mulher estranhou que tenha usado o mandarim para se expressar, em vez de cantonês.

Datada de domingo, a carta entretanto enviada por fax e publicada pela Central News Agency, de Taiwan, foi redigida à mão. Nela, Lee volta a dizer que está envolvido numa investigação que requereu urgência e “pode levar tempo”. Além de garantir que viajou para a China por sua conta e risco, diz estar “muito bem”.

A mulher terá ficado convencida, a ponto de retirar a queixa pelo seu desaparecimento. Citada pelo “South China Morning Post”, afirma que reconheceu a caligrafia do marido e desiste da ajuda pedida às autoridades por acreditar que ele “não foi forçado a escrever a missiva”.

Mas o assunto está longe de ser encerrado. A polícia de Hong Kong já fez saber que vai continuar a investigar e o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido manifestou a sua “profunda preocupação” com o caso, adiantando que um dos desaparecidos (não confirmou qual) tem nacionalidade britânica.

A principal suspeita é que qualquer dos cinco homens terá sido sequestrado pela polícia chinesa. Conhecida por vender obras proibidas na China, a Causeway Books, pela mão da editora a que está ligada, a Mighty Current, estaria a preparar um livro sobre a vida amorosa do presidente Xi Jinping e sobre uma sua antiga amante, o que pode estar por trás dos misteriosos desaparecimentos.

Além de Lee Bo, outro dos desaparecidos é o editor Gui Minhai, que tem passaporte sueco e deixou de ser localizado a 17 de outubro, quando estava na sua casa em Pattaya, na Tailândia. Ao longo dos últimos meses, a mulher tem recebido várias chamadas de Minhai, em que este nunca refere onde está ou quando planeia voltar, e sempre de números longínquos, como Togo, Polónia e Croácia.

As outras três pessoas desaparecidas, diz o “El País”, são o ex-propietário da livraria, Lam Wing Kei, e dois dos seus sócios, Lu Bo e Zhang Zhiping.