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“A Coreia do Norte apanhou o mundo a dormir”, é preciso “sanções que inflijam dor real”

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Kim Jong Un, um homem que desperta pouca estima fora da sua Coreia do Norte

KIM HONG-JI / Reuters

Da China aos Estados Unidos, os jornais reagem ao teste nuclear norte-coreano com a bomba H, que tem um incrível poder devastador. Pedem “sanções que inflijam dor real à Coreia do Norte” e temem o que “um ditador paranoico e imprevisível” tem agora em mãos

Todos contra a “imprevisível” Coreia do Norte. Todos a favor de “sanções fortes” e de um “diálogo internacional” que resulte numa frente unida contra o regime de Pyongyang. Estas são as posições da imprensa internacional, que refletem a situação de isolamento do país liderado por Kim Jong Un, cujo único aliado político é a vizinha China (e mesmo esta relação parece já ter tido dias melhores), no dia em que a Coreia do Norte anunciou ter conduzido pela primeira vez um teste nuclear com uma bomba de hidrogénio.

A imprensa chinesa mostra-se indignada e pede ao Governo que atue para castigar o regime de Pyongyang. No diário “China Daily” fala-se de uma “intensificação desnecessária” das tensões regionais, sublinhando que “será extremamente errado os Estados Unidos optarem por assistir à deterioriação das relações entre a China e a Coreia do Norte sem fazerem nada”.

Já o jornal “New China” assegura que o teste nuclear provocou um “coro de condenações internacionais” e que é “prejudicial à estabilidade regional”, atribuindo a jogada norte-coreana à “insegurança originada por anos de hostilidade dos Estados Unidos”. Agora, diz este título, é tempo de “pensar e agir racionalmente” para não pôr mais “achas na fogueira” deste conflito.

Por sua vez, o “South China Morning Post” foca a questão de forma original e conta que o anúncio do sucesso do teste nuclear foi feito na televisão norte-coreana por Ri-Chun Hee, uma famosa pivot reformada descrita pelo jornal como “uma avó autoritária”. “Não importa se a notícia era um teste nuclear ou a visita de Kim Jong Un a uma quinta, ela estaria lá para gabar entusiasticamente o fantástico feito”, ironiza o título.

“Coreia do Norte deve pagar preço mais alto possível”

Do lado da Coreia do Sul, as opiniões não são muito diferentes. O website NK News, que tem correspondentes em Washington e Londres, fala de desenvolvimentos perigosos a que Washington, Seul e Tóquio devem dar uma resposta conjunta, defendendo mesmo o fim das “políticas tímidas” de Obama para sancionar a Coreia do Norte.

Já o “Korea Times”, que dedica um editorial titulado “A imprudência da Coreia do Norte” a esta questão, classifica o comportamento do líder norte-coreano como “sempre imprevisível”. Defendendo uma ação mais proativa dos seus governantes, o título sul-coreano remata declarando que “nem se discute que a Coreia do Norte deve pagar o preço mais alto possível pelas suas ações precipitadas”.

O “Korea Herald”, por sua vez, defende no editorial que é necessário dar uma “resposta concertada” a Pyongyang - uma resposta que “inflinja dor real à Coreia do Norte”.

“Tremor de terra tornou-se tremor geopolítico”

No Reino Unido, o “Guardian”, que tal como o vizinho “Telegraph” está a acompanhar a situação em direto, escreve que o mundo ficou a saber que a bomba de hidrogénio pode estar na posse de “um ditador paranóico e imprevisível”, defendendo que a comunidade internacional deve estar muito preocupada com a situação: “Mais uma vez, a terceira geração da dinastia coreana no poder apanhou o mundo a dormir”, dizem os correspondentes do jornal no país.

A revista norte-americana “Time” frisa que enquanto não é confirmada a veracidade do anúncio de Pyongyang, interessa analisar as consequências políticas do mesmo, que prometem ser “explosivas”. Isto porque, recorda a publicação, neste caso “um tremor de terra tornou-se um tremor geopolítico”, comprometendo as relações entre a Coreia do Norte e o seu único aliado, a China.

Ainda nos Estados Unidos, o “Washington Post” realça que o anúncio, cuja veracidade ainda não foi confirmada, está a provocar ceticismo nos meios internacionais, mas acrescenta que “esta provocação representa um novo desafio para o resto do mundo”.

Em Espanha, “El País” e “El Mundo” facultam ao leitor gráficos que explicam o impacto da bomba de hidrogénio que terá explodido na Coreia do Norte. O primeiro título explica que este foi um “salto qualitativo na série de desafios à ordem internacional” que Kim Jong Un tem protagonizado.