Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Identificado provável carrasco do novo vídeo do Estado Islâmico

  • 333

Siddhartha Dhar publicou esta fotografia no seu Twitter em 2014, depois de ter fugido do Reino Unido para se instalar com a família na Sìria

O possível sucessor do “jiadista John”, o carrasco britânico que foi morto por bombardeamentos norte-americanos em novembro passado, chama-se Siddharta Dhar e liderava um grupo terrorista no Reino Unido. Fugiu para a Síria depois de pagar uma fiança, evitando a prisão

As atenções do mundo viraram-se este domingo para o vídeo do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh, no acrónimo árabe) em que um homem de cara tapada chamava “imbecil” ao primeiro-ministro britânico enquanto se preparava para participar na execução de cinco reféns, alegados espiões. Dois dias depois, a investigação iniciada pelas autoridades britânicas com o objetivo de revelar a identidade do novo carrasco do Daesh parece estar a dar frutos, adianta a BBC.

O principal suspeito de protagonizar a gravação é Siddhartha Dhar, um homem que não é desconhecido dos telespectadores britânicos, avança a televisão. Isto porque Dhar, nascido e criado no Reino Unido há pouco mais de 30 anos, liderava o grupo al-Muhajiroun, banido no contexto da legislação contra o terrorismo, e aparecia frequentemente no pequeno ecrã dos britânicos.

Nestas aparições, Dhar fazia questão de mostrar as suas visões radicais. Sendo presença constante em manifestações contra países como os Estados Unidos ou Israel, era visto constantemente perto de mesquitas para tentar recrutar novos membros para o seu grupo.

Se os olhos que possivelmente pertencem a Dhar correm agora o mundo, antes toda a cara era visível em vídeos que o próprio publicava online ou em aparições em programas televisivos para os quais era convidado. Em 2014, Dhar disse à BBC que o califado que o Daesh deseja construir seria “a oportunidade de ver o Corão posto em prática”. Na altura, Dhar acrescentou que “como muçulmano gostaria de ver o Reino Unido a ser governado de acordo com a lei sharia. É muito superior à democracia”. E rematou: “Não me identifico com os valores britânicos. Sou muçulmano em primeiro, segundo e último lugar”.

Uma finta às autoridades

Não só de declarações premonitórias se fez o passado do agora principal suspeito nesta investigação. É que, em 2014, Dhar viajou do Reino Unido para a Síria com o objetivo de se juntar ao Daesh. Na altura, Dhar encontrava-se preso, acusado de incitar ao terrorismo, mas pagou a fiança e conseguiu viajar com a mulher e os quatro filhos para a Síria, mesmo estando supostamente impedido de deixar o Reino Unido.

Nas redes sociais, onde publicou uma fotografia segurando um filho numa mão e uma arma na outra, Dhar fez pouco das autoridades britânicas: “O Reino Unido deve ter um sistema de segurança muito fraco, para me permitir passar pela Europa para chegar ao Estado Islâmico”, tweetou.

A própria irmã do suspeito, Konika Dhar, já admitiu à BBC acreditar que o carrasco do vídeo é Siddhartha, conhecido pelo nome de Abu Rumaysah desde que se converteu ao Islão (os irmãos foram criados de acordo com a religião hindu). No entanto, a própria admite continuar em “estado de negação”, considerando-se em período de luto pela “perda do irmão”.

O principal suspeito é ainda autor de um livro, publicado em maio de 2015, que consiste numa espécie de guia para visitar os territórios controlados pelos extremistas. O documento, que visa encorajar todos os muçulmanos a juntar-se ao grupo extremista, inclui conselhos sobre alimentação e transporte, mas também frases que estão a ter eco na imprensa internacional: “Se achavam que Londres ou Nova Iorque eram cosmopolitas, esperem até chegarem ao Estado Islâmico, que grita diversidade”.

Criança também já terá sido identificada

O vídeo que fez de Siddhartha Dhar um homem procurado pelas autoridades britânicas termina com o aviso de uma criança, em inglês: “Vamos matar os kafir [não crentes] que estão aí”.

Segundo o diário britânico “Daily Telegraph”, a criança também já foi identificada e será filha de Grace Dare, uma londrina que se converteu ao Islão aos 18 anos. Cinco anos volvidos, em 2013, Grace viajou para a Síria com o filho, Isa Dare.

De acordo com o “Telegraph”, o avô da criança, Henry Dare, reconheceu o neto e confirmou ao jornal a sua identidade. “Fiquei surpreendido quando vi a fotografia. É definitivamente ele. É claro que estou preocupado, mas não há nada que possa fazer”, disse.