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“É bom, magnífico, soberbo”: o atum que vale mais de €100.000

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KIYOSHI OTA/ Reuters

No primeiro leilão do ano no mercado de peixe de Tsukiji, Tóquio, um peixe com mais de 200 quilos foi comprado por uma fortuna. Organizações ambientais estão preocupadas

Comprar um atum por uns quantos milhares de euros pode parecer algo estranho. No entanto, no mercado de peixe de Tsukiji, em Tóquio, isso é coisa para acontecer pelo menos uma vez por ano. No primeiro leilão de 2016, Kiyoshi Kimura, proprietário de um restaurante de sushi, arrebatou um atum rabilho de 200 quilos por 14 milhões de ienes, o equivalente a pouco mais de 108 mil euros.

Esta venda pública é altamente concorrida. Segundo o jornal britânico “The Guardian”, as licitações são inflacionadas, uma vez que os compradores competem ferozmente pelo “prestígio de assegurar o primeiro grande atum do ano”. Este é, posteriormente, também um argumento utilizado pelos restaurantes para atrair a clientela.

“É um bom atum. Aliás, um magnífico atum. Soberbo. Este é o último leilão de ano novo [em Tsukiji], por isso tem um grande significado”, referiu o vencedor do leilão, citado pelo jornal “Financial Times”.

Kiyoshi Kimura, o homem que gastou os 108 mil euros, já é presença habitual nestes leilões (há cinco anos consecutivos que os vence). E, por norma, é um dos que mais dinheiro investem. Em 2013, por exemplo, entrou numa disputa renhida com o dono de um restaurante de Hong Kong, tendo deixado no mercado de Tsukiji a módica quantia de 155,4 milhões de ienes (1,07 milhões de euros) - um valor recorde.

Já no ano passado, a despesa foi mais comedida, e ficou-se pelos 4,51 milhões de ienes (34.919 euros) por um atum de 222 quilos.

Nos últimos anos, o primeiro leilão do ano em Tsukiji tornou-se quase um evento mediático. Este que é considerado o maior mercado de peixe do mundo abriu em 1935 no bairro de Chuo, nas margens do rio Sumida. No entanto, em 2016 foi a última vez que aconteceu naquele local, pois está prevista a transferência do mercado para Toyosu, uma ilha artificial na baía da capital, em novembro deste ano.

FRANCK ROBICHON/ EPA

Os sucessivos avisos dos ambientalistas

Cerca de 80% do atum rabilho pescado em todo o mundo é comprado e consumido no Japão. A maior parte é apanhado ainda antes de completar o primeiro ano de vida, não tendo hipótese de se reproduzir. A Pew Charitable Trusts, uma organização não governamental sem fins lucrativos, já alertou para a necessidade de se avançar para o controlo das pescas.

“A comunidade internacional deve informar o governo japonês que são necessárias medidas adicionais para salvar a espécie”, disse Amanda Nickson, da Pew Charitable Trusts, citada pelo “The Guardian”. “Tendo em conta o atual estado em que a população já se encontra, é particularmente preocupante que o preço de leilão esteja a aumentar outra vez”, acrescentou.

Os ambientalistas estimam que o número de atum rabilho continue em declínio e que em 2018 atinja o número mínimo alguma vez registado.