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Internacional

Tensão no Médio Oriente. Bahrain, Sudão e Emirados punem o Irão

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REUTERS

À semelhança da Arábia Saudita, também o Bahrain anunciou o corte
das relações diplomáticas com o Irão. Sudão e Emirados Árabes Unidos decidiram agir igualmente contra o regime do Teerão

Aumenta a tensão no Médio Oriente e diminuem os caminhos para resolver os problemas da região. Um dia depois de a Arábia Saudita ter anunciado o corte das relações diplomáticas com o Irão, o Bahrain decretou esta segunda-feira a mesma medida.

O rei do Bahrain, Hamad bin Isa al-Khalifa, considerou que o regime do Teerão é responsável pela “intrusão crescente, flagrante e perigosa nos assuntos internos dos Estados Árabes e do Golfo”, refere a BBC.

O Sudão resolveu expulsar o embaixador iraniano do país, enquanto os Emirados Árabes Unidos optaram pela diminuição do número de representantes diplomáticos no Irão.

No domingo, o ministro dos Negócios Estrangeiros saudita anunciou o corte dos laços diplomáticos do seu país com o Irão, na sequência do ataque à embaixada da Arábia Saudita em Teerão por manifestantes que protestavam contra a execução do clérigo xiita Nimr Baqer al-Nimr, que aumentou a crispação entre os dois lados. Al-Nimr morreu no mesmo dia que outros 46 condenados.

Como retaliação, o ministro Adel al-Jubeir anunciou ainda que todos os diplomatas iranianos presentes na Arábia Saudita terão de abandonar o país num prazo de 48 horas, enquanto os funcionários da embaixada da Arábia Saudita no Irão terão de regressar à capital. “A história do Irão está cheia de interferências negativas e hostis nos países árabes, sempre acompanhadas por subversão, demolição e mortes de almas inocentes”, afirmou Adel al-Jubeir em conferência de imprensa, citado pelo “Guardian”.

O governante saudita invocou um longo historial de “violações de missões diplomáticas estrangeiras” e dos “acordos internacionais”, recuando à ocupação da embaixada norte-americana em 1979. Acusou ainda o Irão de levar a cabo uma política que visa “desestabilizar a segurança” na região.

O Presidente do Irão, Hassan Rouhani, declarou que o ataque à embaixada saudita em Teerão é “injustificável”, mas condenou a execução de al-Nimr. “Não tenho dúvida de que o Governo saudita sujou a sua imagem, mais do que antes, entre os países do mundo, em particular entre os países islâmicos, por este ato”, disse Rouhani. O líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, defendeu que outros países da região devem condenar a execução em massa.

Receios quanto à Síria

A rutura das relações diplomáticas entre a Arábia Saudita e o Irão aumenta os receios sobre a instabilidade na região, nomeadamente no que diz respeito à Síria. Os EUA dizem esperar que o diálogo possa ser retomado de forma a garantir uma menor instabilidade na região. “Acreditamos que o relacionamento diplomático e as conversações continuam a ser essenciais para ultrapassar as diferenças e por isso continuamos a apelar aos líderes da região para tomarem passos alternativos com vista a diminuir as tensões”, afirmou John Kirby, porta-voz do Departamento do Estado norte-americano.

Também a chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, apelou à Arabia Saudita para recuar na sua posição para “reduzir as tensões e proteger os diplomatas sauditas”. A italiana também teve conversas com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Mohammad Javad Zarif.

A execução de Nimr Baqer al-Nim e de mais 46 pessoas constitui a maior execução em massa na Arábia Saudita em mais de três décadas. O clérigo xiita teve um papel crucial nos protestos inspirados na Primavera Árabe levados a cabo pela minoria xiita até à sua detenção em 2012, acusado de terrorismo.