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Presidente da Argentina reivindica soberania das Malvinas

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O novo líder do Governo argentino, Mauricio Macri, partilha este objetivo com Cristina Kirchner, a sua antecessora

JORGE ADORNO

O novo Governo argentino promete continuar a insistir na soberania das ilhas, por ocasião do 183.º aniversário da ocupação britânica

O novo chefe de Estado argentino, Mauricio Macri, eleito em dezembro passado, tem pelo menos uma semelhança com a sua antecessora, Cristina Kirchner: é que Macri mantém a reivindicação da soberania sobre as ilhas Malvinas, numa continuação da antiga disputa entre a Argentina e o Reino Unido, que designa o arquipélago por Falkland.

Em comunicado divulgado neste domingo e citado pelo diário britânico “The Daily Telegraph”, o novo Governo argentino promete continuar a insistir na soberania destas ilhas, por ocasião do 183.º aniversário da ocupação britânica. É que o país sul-americano defende ter herdado aqueles territórios em 1816, ano da sua independência. A nota serve para marcar uma posição clara: “Hoje, passados 183 anos sobre essa ocupação ilegítima que ainda continua, o povo e o Governo argentino reafirmam, mais uma vez, os imprescritíveis direitos de soberania”, pode ler-se.

No documento, o Executivo de Macri, que prometera durante a campanha trabalhar para melhorar as relações diplomáticas com Londres, diz renovar o “firme compromisso com a solução pacífica das controvérsias, o Direito Internacional e o multilateralismo”. O novo Presidente argentino acrescenta que Buenos Aires quer convidar o Reino Unido a retomar as negociações, visando resolver, o mais rapidamente possível e de maneira justa e definitiva, a disputa de soberania sobre as ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul e os espaços marítimos circundantes".

Habitantes querem continuar sob alçada britânica

O documento defende ainda que a ocupação britânica, que aconteceu em 1833 e se baseou no facto de ter sido britânico o primeiro desembarque registado naquele território, em 1690, serviu para “desalojar a população e as autoridades argentinas ali estabelecidas legitimamente”. Em 1982, a Guerra das Malvinas provocou as mortes de 649 soldados argentinos e 255 britânicos. No final do conflito, o arquipélago continuou a ser considerado um território ultramarino pertencente ao Reino Unido.

Facto esse que em nada incomoda os habitantes das Malvinas, conhecidos como kelpies. Em 2013, 98% dos 3000 residentes do arquipélago manifestoaram o desejo de continuar sob a alçada do Governo britânico. Londres já declarou não pretender negociar a soberania das ilhas, por entender que os habitantes devem ter direito à autodeterminação.