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Trump usado em vídeo de propaganda de grupo ligado à al-Qaeda

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Ralph Freso/Getty Images

As declarações do milionário e candidato presidencial norte-americano são usadas num vídeo de propaganda do al-Shabaab, grupo extremista da Somália com ligações à al-Qaeda, para denunciar a discriminação e injustiça racial nos Estados Unidos. A informação está a ser avançada pelo SITE Intelligence Group

Um vídeo de 51 minutos do al-Shabaab, grupo extremista de militantes fundamentalistas islamitas da Somália, destinado a atrair novos recrutas inclui o candidato às Presidenciais dos Estados Unidos (EUA) Donald Trump. A informação está a ser avançada este sábado, no Twitter, por Rita Katz, diretora do SITE Intelligence Group, especializado na monitorização da presença online de islamitas.

As declarações do milionário norte-americano aparecem entre dois vídeos que mostram o líder Anwar al-Awlaki, morto num ataque de drones por parte dos EUA no Iémen em 2011, que apela aos muçulmanos que “fujam” da “atmosfera opressiva do Ocidente para a terra do Islão”.

No vídeo de propaganda, o grupo extremista usou um audio de um discurso de Trump, em que este apela aos EUA para banir todos os muçulmanos do país, sendo aplaudido pelos seus apoiantes. O objetivo do al-Shabaab, segundo noticiam os media internacionais, será denunciar aquilo que o grupo considera “uma longa história de racismo e discriminação”, num vídeo que inclui ainda imagens de época de Malcolm X, grande defensor dos direitos dos negros nos EUA e ativista na luta contra a segregação social no país nas décadas de 50 e 60 do século passado.

Segundo a CNN, no vídeo são ainda incluídas imagens de violência contra cidadãos afro-americanos em Ferguson e Baltimore, que desencaderaram vários protestos no país, acrescentando-se que é este o resultado que os muçulmanos podem esperar nos EUA.

Os apelos e ideias de Trump de banir os muçulmanos do país (e de encerrar as fronteiras ao imigrantes) já tinham sido criticados por vários políticos norte-americanos e, nesse sentido, a utilização dos seus argumentos num vídeo de propaganda ao serviço dos militantes islamitas provocou críticas ferozes a nível internacional. Até à hora de publicação deste texto, o candidato presidencial ainda não tinha prestado qualquer declaração aos meios de comunicação internacionais.