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Putin aponta EUA e NATO como ameaças à estratégia de segurança russa

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RIA NOVOSTI/REUTERS

A nova estratégia de segurança nacional, aprovada pelo Presidente russo para 2016-2020, considera que a expansão da NATO “até às fronteiras russas” e a atuação dos Estados Unidos e aliados visam impedir “a hegemonia [de Moscovo] nas relações externas”

Os Estados Unidos (EUA) e a NATO são duas das grandes ameaças para a Rússia, expressas pela primeira vez na estratégia de segurança nacional russa. “Sobre a Estratégia de Segurança Nacional da Federação Russa” é o nome do documento (válido até 2020) e assinado na quinta-feira pelo Presidente Vladimir Putin no último dia do ano, que vem substituir o anterior (de 2009), aprovado pelo então Presidente e atual primeiro-ministro Dmitry Medvedev.

A expansão da NATO em direção às fronteiras russas constituem, na perspetiva do Kremlin, uma das grandes ameaças. “A construção do potencial militar da Organização do Tratado Atlântico Norte (NATO), com funções globais implementadas através de violações das normas de direito internacional, dinamização de atividades militares dos países-membros e a expansão da Aliança até às fronteiras russas criam uma ameaça para a segurança nacional”, pode ler-se no documento, citado pela agência russa Tass.

O Kremlin acusa ainda o Ocidente de tentar conter a independência russa e ações no sentido de resolver problemas e conflitos internacionais, através de “instrumentos políticos, económicos e informativos”. Sublinhando “o fortalecimento da Rússia” no contexto internacional, o documento sublinha que este tem sido alvo de “luta pelos EUA e aliados, que estão a tentar impedir a sua hegemonia nas relações externas.”

Em declarações à CNN, um responsável da NATO afirmou que a Aliança “rejeita categoricamente as declarações totalmente infundadas que dizem que a NATO e as suas políticas constituem uma ameaça à segurança da Rússia.” E realça ainda que “o alargamento da NATO não é dirigido contra ninguém. Cada nação tem o direito de escolher se quer aderir a qualquer tratado ou aliança. Este é um princípio fundamental da segurança europeia que a Rússia também subscreveu e deve respeitar.”

O documento de estratégia nacional da Rússia constitui, assim, mais uma machadada nas relações entre a Rússia e o Ocidente, que têm vindo a deteriorar-se em 2014 e 2015 e, especialmente, na sequência da anexação russa da Crimeia e apoio aos separatistas no leste da Ucrânia, que a Rússia nega. Recorde-se que estes episódios tiveram na origem a escolha da Ucrânia a favor da União Europeia (UE), através de protestos e manifestações, depois do então Presidente ucraniano Victor Ianukovych ter decidido mudar a orientação do país a favor da Rússia.

A anexação da Crimeia motivou sanções contra a Rússia, por parte dos EUA e UE, que originou uma retaliação por parte do Kremlin (proibição de importação de certos produtos europeus). O documento de estratégia de segurança russa para 2016-2020 acusa ainda os norte-americanos e europeus de apoiarem “um golpe de Estado anticonstitucional na Ucrânia”, que levou ao conflito ucraniano.