Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Em 2016, a Arábia Saudita já executou 47 pessoas

  • 333

As pessoas estavam todas condenadas por terrorismo. Entre os executados estava o dignitário religioso xiita Nimr Baqir al-Nimr, uma figura da contestação contra o regime saudita

A Arábia Saudita executou 47 pessoas condenadas por terrorismo, entre as quais o dignitário chiita Nimr Baqir al-Nimr, figura da contestação contra o regime saudita, anunciou este sábado o Ministério do Interior.

O comunicado do Ministério do Interior, publicado na agência oficial de notícias SPA, refere que as 47 pessoas executadas tinham sido condenadas por terem adotado a ideologia radical "takfiri", juntando-se a "organizações terroristas" e implementando várias "parcelas criminosas".

Entretanto, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Hossein Ansari Jaber, já avisou que a Arábia Saudita vai pagar um "preço elevado" pela execução do dignitário religioso xiita.

“O governo saudita apoia, por um lado, os movimentos terroristas e extremistas e, ao mesmo tempo, utiliza a linguagem da repressão e da pena de morte contra os seus opositores internos (...) ele [governo] vai pagar um preço elevado por estas políticas”, disse Ansari Jaber, citado pela agência de notícias iraniana IRNA.

Também o irmão de Nimr Baqir al-Nimr já reagiu à sua morte, advertindo que poderá desencadear uma reação de “ira dos jovens xiitas na Arábia Saudita”, ao mesmo tempo que apelou à calma. “Esta ação provocará a cólera dos jovens. Espero que seja um movimento de protesto pacífico”, disse M. Nimr à agência France Presse (AFP).

O dignitário religioso xiita Nimr Bager al-Nimr, um acérrimo crítico do regime saudita, foi condenado à morte em outubro de 2014 por rebelião, "desobediência ao soberano" e "porte de armas". Esteve na liderança dos protestos da população xiita em 2011 e 2012 no leste da Arábia Saudita, onde são maioritários, num país em que predomina o islamismo sunita, praticado por 85% dos 30 milhões de habitante.

Entre os 47 executados estão também sunitas que foram condenados por envolvimento em ataques reivindicados pela Al-Qaeda perpetrados no reino em 2003 e 2004 e que mataram sauditas e estrangeiros. De fora das execuções ficou o sobrinho de Nimr Baqir al-Nimr, Ali al-Nimr, que tinha 17 anos quando foi preso na sequência de protestos.

Estas são as primeiras execuções de 2016 na Arábia Saudita, um país ultraconservador que executou 153 pessoas em 2015, segundo uma contagem realizada pela agência France Presse (AFP) com base em números oficiais. Na lista está um egípcio e um chadiano, sendo os restantes sauditas.