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Efeitos do El Niño poderão ser tão devastadores como foram em 1998

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Cheias em Assunção, capital do Paraguai, onde 100 mil pessoas foram obrigadas a deixar as suas casas

JORGE ADORNO / REUTERS

A Nasa alerta para as semelhanças entre o El Ninõ em curso com o de 1998, considerado o pior de sempre. Levantam-se agora questões sobre o impacto humanitário que poderá trazer em 2016

O El Niño que se tem feito sentir este ano tem semelhanças com o de 1998, que é considerado até agora como o mais devastador de sempre, alerta a Nasa.

As imagens analisadas pela agência internacional mostram semelhanças entre os dois, ou seja, identificam fatores que apontam para “a assinatura de um El Niño grande e poderoso”, segundo se lê num comunicado publicado no site da Nasa, alertando também para o facto de não se avistarem quaisquer sinais de abrandamento.

O fenómeno climático pode ocorrer com intervalos entre dois a sete anos e os seus efeitos podem por vezes estender-se até um ano.

Ao longo dos últimos meses, o El Niño esteve associado às cheias no Paraguai, Argentina, Uruguai e Brasil - as piores em 50 anos. A subida das águas forçaram mais de 150 mil pessoas a abandonarem as suas casas – mais de 100 mil foram apenas na cidade de Assunção, capital do Paraguai.

No estado norte-americano do Missouri, 13 pessoas morreram em resultado de cheias provocadas por tempestades e tornados, segundo a BBC. Para além das cheias, o El Niño tem estado a provocar temperaturas mais quentes no hemisfério norte.

O impacto humanitário

Perante as previsões dos meteorologistas, tem vindo a alargar-se a discussão sobre o impacto humanitário que o El Niño poderá ter em 2016.

Ao provocar secas, em algumas regiões, e cheias, noutros locais, o fenómeno climático tem um impacto direto na produção alimentar e, portanto, no risco de fome.

Segundo as agências humanitárias, citadas pela BBC, alguns dos piores impactos deverão ser sentidos no continente africano onde se estima que a falta de produtos alimentares atinja um pico no próximo mês de fevereiro.

Nos próximos seis meses, também a região das Caraíbas, América Central e América do Sul serão atingidas pelos efeitos do fenómeno.

“Em muitos dos países tropicais, temos assistido a grandes reduções da queda de chuva na ordem dos 20% a 30%. A Indonésia passou por uma forte seca; as monções na Índia foram 15% abaixo do normal; e as previsões para o Brasil e para a Austrália apontam para monções reduzidas”, afirmou à BBC Nick Kingaman, da Universidade de Reading.

As agências humanitárias apontam para que cerca de 31 milhões de pessoas estejam em risco de insegurança alimentar no continente africano. Segundo a BBC, cerca de um terço vive na Etiópia, onde 10,2 milhões de pessoas irão precisar de assistência humanitária em 2016.