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Pentágono estará a dificultar esforços de Obama para fechar Guantánamo

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91 homens ainda estão detidos na prisão extrajudicial de Guantánamo em Cuba

Staff Photographer / Reuters

Com base em informações de fontes da anterior e atual administrações, a Reuters avança que o Pentágono tem criado obstáculos burocráticos às transferências de prisioneiros para outros países

O Pentágono estará a dificultar os esforços do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para fechar a prisão de Guantánamo, segundo avança a Reuters esta terça feira, com base na informação recolhida junto de várias fontes da anterior e atual administrações norte-americanas. Em causa estará o facto de o Pentágono criar obstáculos burocráticos nas negociações para as transferências dos detidos.

A Reuters conta a história de Tariq Ba Odah, um iemenita detido há 14 anos na prisão de Guantánamo, que passou por uma greve de fome, perdeu 33 quilos e que há cinco anos teve autorização para ser transferido. Em setembro, membros do Departamento de Estado norte-americano reuniram-se com uma delegação estrangeira, que poderia vir a receber o detido no seu país.

Um dos requisitos pedidos aos EUA foi a informação médica do prisioneiro que o Pentágono recusou fornecer, alegando a proteção da privacidade do detido. A delegação acabaria por cancelar a vistia e Ba Odah continua hoje detido.

Depois de contactar várias fontes da administração atual e anterior dos EUA, a Reuters conclui que este caso é apenas um, entre muitos.

James Dobbins, representante especial do Departamento de Estado para o Afeganistão e Paquistão em 2013 e 2014, disse à Reuters que negociar a libertação de prisioneiros com o Pentágono era como “esmurrar uma almofada” e, após as reuniões, “nada acontecia”.

Pentágono nega

Em causa está o facto de o Pentágono recusar dar fotografias, registos médicos completos e outras documentações básicas a governos estrangeiros, para além de dificultar o acesso das delegações ao centro de detenção e o contacto com os detidos, segundo as fontes contactadas pela Reuters.

O Pentágono nega qualquer atitude intencional no sentido de desacelerar o processo de transferência dos detidos. “Nenhum governo estrangeiro ou departamento dos Estados Unidos alguma vez notificou o Departamento de Defesa no sentido de que as negociações para as transferências colapsaram devido à falta de informação ou de acesso dado pelo Departamento de Defesa”, declarou Gary Ross, porta-voz do Pentágono, citado pela Reuters.

Myles Caggins, porta-voz da Casa Branca, nega qualquer desacordo com o Pentágono. “Estamos todos comprometidos com o mesmo objetivo: encerrar as instalações do centro de detenção, de forma segura e responsável.”

Atualmente ainda há 107 detidos em Guatánamo. Quando Barack Obama assumiu a presidência dos Estados Unidos, em 2009, eram 242, menos que os 680 detidos em 2003.