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Milhares de cubanos retidos na Costa Rica vão poder seguir para os EUA

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JUAN CARLOS ULATE/REUTERS

O acordo agora anunciado desbloqueia uma situação que ilustra as sequelas ainda existentes na relação difícil entre os EUA e o país de Fidel

Luís M. Faria

Jornalista

Os emigrantes cubanos que se encontravam retidos há semanas junto à fronteira entre a Costa Rica e a Nicarágua vão finalmente poder seguir para os Estados Unidos. São entre cinco e sete mil pessoas, todas procurando chegar a um país onde desfrutam de um estatuto especial em matéria de exílio político. Haviam seguido de Cuba para o Equador, e daí para a Costa Rica via Colômbia.

Ainda lhes faltavam alguns milhares de quilómetros, mas a Nicarágua, aliada do Governo cubano, não autorizava a sua passagem. Uma reunião na Guatemala entre os representantes de vários países envolvidos – não Cuba, porém – desbloqueou finalmente a situação. Nos termos do acordo agora alcançado, os cubanos vão ser levados de autocarro para os EUA.

O caso estava a tornar-se um embaraço internacional, com numerosos apelos públicos a que se resolvesse depressa, entre eles o do Papa Francisco, no domingo passado. Os cubanos sabiam que o tempo jogava a seu favor. Nos termos de uma política redefinida nos anos 90, os EUA acolhem aqueles que chegam por terra, e rejeitam apenas os que viajam por mar. Nos últimos meses, após o desenvolvimento das relações entre Cuba e o seu poderoso vizinho do Norte, muitos cubanos recearam que terminasse o acolhimento automático, e o número de emigrantes aumentou bastante. Uma vez chegados aos EUA, poderão candidatar-se ao estatuto de residente legal, e a prazo à nacionalidade americana.