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França torna públicas as memórias negras da colaboração com os nazis

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Philippe Petain acordou em 1940 colaborar com Adolf Hitler

AFP

Durante a Segunda Guerra Mundial, o regime colaboracionista de Vichy ultrapassou as expectativas dos nazis, nomeadamente em relação ao auxílio para a deportação de judeus estrangeiros para campos de concentração

Desde segunda-feira que qualquer pessoa já pode aceder aos mais de 200 mil documentos da polícia e dos ministérios do Interior, Negócios Estrangeiros e Justiça do regime colaboracionista de Vichy, que entre 1940 e 1944 compactuou com a ocupação nazi de França.

Até aqui, o acesso aos documentos era limitado a investigadores e jornalistas, mediante autorização especial, passando agora, passados 75 anos sobre a formação do regime, a poderem ser acedidos pela generalidade dos cidadãos.

Ainda hoje é um tema sensível na França o auxílio aos nazis durante a ocupação, que ultrapassou as expectativas dos próprios, em especial relativamente ao envio de judeus estrangeiros, entre os quais crianças, para os campos de concentração.

Durante a ocupação nazi, o regime colaboracionista, chefiado por Philippe Petain, ajudou a enviar 76 mil judeus e resistentes para os campos.

O historiador Gilles Morin declarou à televisão francesa que os documentos também devem permitir lançar nova luz sobre a prisão do líder da resistência Jean Moulin, que morreu após ter sido torturado pelos nazis.

“Até aqui nós temos dependido dos relatos de testemunhas e eles são a nossa fonte principal, mas agora nós vamos poder ler as minutas das reuniões, os memorandos da polícia e os documentos da resistência capturados pela polícia”, referiu.

“Há também a exigência dos filhos dos deportados - e daqueles que foram executados - que querem saber o que se passou e isso é uma exigência legitima”, acrescentou Morin.

O escritor, advogado e “caçador de nazis” Serge Klasferld - que se encontra entre os especialistas que desde o princípio dos anos 1980 conseguiram acesso aos documentos - indicou à rádio France Info que não se devem esperar grandes revelações, considerando tratar-se sobretudo de um “simbólico” avanço da liberdade de informação.