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Foram assassinadas 77 pessoas por dia na Venezuela

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GEORGE CASTELLANOS/ Getty Images

Observatório Venezuelano de Violência aponta a maior presença do crime organizado, a privatização da segurança e a impunidade generalizada com alguns dos fatores que fazem da Venezuela um dos países mais violentos da América

O Observatório Venezuelano de Violência (OVV) divulgou esta terça-feira números que indicam que 27.875 pessoas foram assassinadas na Venezuela desde janeiro, o que equivale a uma taxa de 90 homicídios por cada 100 mil habitantes - e a uma média de 76,7 por dia.

Trata-se de um dos países mais violentos da América, dado que "uma em cada cinco pessoas assassinadas é venezuelana", superando a Honduras, que no ano passado ocupava o primeiro lugar, de acordo com o OVV.

"Uma vez mais, enfrentamos uma ausência total de informação oficial sobre os homicídios (...) depois de 12 anos de censura oficial da informação sobre criminalidade", refere um relatório da organização não-governamental distribuído em Caracas.

Neste sentido, o OVV indica que os investigadores de sete universidades públicas e privadas que integram o OVV viram-se na obrigação de oferecer ao país um balanço sobre a situação de violência.

Segundo o documento, a que a Agência Lusa teve acesso, a divulgação dos dados apresenta-se como uma "obrigação", mas também como um "protesto", uma vez que o Estado também deixou de divulgar "os números de pobreza, da inflação, da escassez (de produtos), do contágio de doenças (...) e de toda a condição indicadora das reais condições de vida da população venezuelana".

Por outro lado, explica que os dados correspondem à soma de homicídios, averiguações de morte e resistência à autoridade, precisando que para as autoridades venezuelanas os casos de milhares de mortes de pessoas que perderam a vida na sequência de disparos de armas de fogo "ficam de fora" da categoria de homicídios "por ter uma intenção não determinada".

"Noutros casos, milhares também, em que a morte ocorre como consequência de uma ação do Estado, policial ou militar, classificam-se e arquivam-se como resistência à autoridade", precisa o documento, sublinhando que "nem todos os confrontos com as autoridades terminam em homicídio, nem toda a morte em averiguação tem que ser o resultado de um ato violento".

Os fatores que explicam a violência

O relatório aponta seis fatores que fazem aumentar a violência na Venezuela: uma maior presença do crime organizado (controlo territorial, tráfico de droga e sequestros); uma maior deterioração dos organismos de segurança do Estado (semanalmente semana vários polícias são assassinados, a politização dos cargos e baixos salários).

Também o aumento da "privatização da segurança" perante a ausência de castigo a criminosos, a "militarização repressiva" e o "empobrecimento da sociedade, acompanhado pela impunidade generalizada".

"Finalmente, a destruição institucional de que o país continua a padecer é o fator explicativo mais relevante do aumento sustentado da violência e do delito", afirma o documento do OVV, segundo o qual há registo de que em 2013 foram assassinadas 22.782 pessoas, 77,5 por cada 100 mil habitantes.

Na Venezuela residem oficialmente 600 mil portugueses, número que a própria comunidade diz estar aquém da realidade insistindo que rondam os 1,5 milhões, incluindo os luso-descendentes.