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Daesh impõe regras aos militantes que escravizam mulheres

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As regras que regulam a relação entre os “donos” e as escravas foram publicadas num documento que data de janeiro deste ano

REUTERS

“Alguns dos irmãos têm cometido violações no que toca ao tratamento das mulheres que são suas escravas. (…) Há algum aviso quanto a esta matéria?”. A questão é colocada num documento do Daesh publicado em janeiro deste ano e descoberto em maio pelos norte-americanos

Sabia que há regras para a violação e escravização das mulheres? Parece estranho, mas é prático do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh). De acordo com informações reveladas pela Reuters, o Daesh impôs em janeiro deste ano alguns critérios que devem ser cumpridos pelos homens que escravizam mulheres.

Vamos a exemplos: um pai e um filho não podem ter relações sexuais com a mesma escrava; já o “dono” de uma mãe e de uma filha não pode ter sexo com ambas. A decisão é anunciada num documento que foi divulgado em janeiro deste ano e descoberto pelas forças especiais norte-americanas em maio, numa rusga a instalações ocupadas pelo Daesh na Síria.

O documento em causa começa por explicar que “alguns dos irmãos têm cometido violações no que toca ao tratamento das mulheres que são suas escravas. (…) Há algum aviso quanto a esta matéria?” Depois, o texto passa a especificar as mais de quinze regras a que os “donos” destas mulheres devem obedecer.

Para além das regras já especificadas, o documento declara ainda que os “donos” destas escravas devem mostrar compaixão, não as devem humilhar e não lhes devem atribuir tarefas que elas não sejam capazes de cumprir, além de não as deverem vender a alguém que sabem previamente que as vai maltratar.

As Nações Unidas e os grupos de defesa dos direitos humanos têm acusado o Daesh de capturar e violar sistematicamente mulheres e até meninas a partir dos 12 anos, normalmente oferecidas aos combatentes como recompensa ou vendidas como escravas sexuais.

Mulheres preferem suicidar-se

Um relatório publicado no final do ano passado pela Amnistia Internacional (AI) já traçava um cenário dramático, falando em milhares de adolescentes e mulheres da minoria religiosa Yazidi que estavam a ser vírimas de escravidão sexual no Iraque e na Síria. Na altura, a AI entrevistou cerca de 40 jovens e mulheres capturadas nas montanhas de Sinjar, no Iraque, e descobriu que muitas das escravas do Daesh se suicidavam por não aguentarem viver assim.

No ano passado, a ONU alertou para o facto de o Daesh estar a assassinar grande parte das mulheres que captura, sobretudo aquelas que têm mais instrução e formação académica.