Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Continuem a andar até encontrarem essa luz

  • 333

PAULO WHITAKER / Reuters

“Obrigada, canadianos. Obrigada ao primeiro-ministro Justin Trudeau por abrir as portas e mostrar ao mundo como todos deveriam receber e salvar vidas”. A família de Aylan, o menino sírio de três anos cujo corpo sem vida foi fotografado em setembro, chegou incompleta ao Canadá, mas deixou uma mensagem de esperança

Na madrugada desta terça-feira, uma família chegou ao Canadá na condição de refugiada, fugindo da guerra na Síria. Contamos esta história, relatada pelo diário espanhol “El País”, não por causa dos que chegaram, mas de quem faltou: a família era a de Aylan Kurdi, o menino sírio de três anos cujo corpo sem vida, fotografado em setembro numa praia da Grécia, comoveu o mundo.

Aylan morreu na sequência do naufrágio da embarcação em que seguia, rumo à ilha grega de Kos. Com ele partiram o seu irmão Galib, de cinco anos, e a sua mãe, Rehana. O pai, Abdullah, foi o único sobrevivente do naufrágio. Sozinho, Abdullah optou por permanecer na Tuquia, onde a família residia até à data da tragédia.

É por isso que esta terça-feira o aeroporto de Vancouver recebeu apenas Mohammad Kurdi e a sua esposa, tios de Aylan, e os seus cinco filhos. O processo foi conduzido por uma outra tia do menino, Tima, que já se encontrava no país. À chegada, Tima falou aos jornalistas: “Obrigada, canadianos. Obrigada ao primeiro-ministro Justin Trudeau por abrir as portas e mostrar ao mundo como todos deveriam receber e salvar vidas”.

“A minha mensagem para os refugiados e para as pessoas que lutam por todo o mundo é que há sempre uma luz ao fundo do túnel (…) Continuem a andar até encontrarem essa luz”, acrescentou, emocionada.

A mensagem de Natal de Abdullah

A televisão britânica Channel 4, que todos os anos honra a tradição de transmitir uma mensagem de Natal alternativa à da rainha, deu nesta quadra voz ao pai de Aylan. Abdullah aproveitou a oportunidade para contar a sua história - a história de um homem que enterrou a mulher e os filhos - e para deixar um desejo: “A minha mensagem é que o mundo inteiro deve abrir a porta aos sírios”.