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Expresso

Internacional

A escrava sexual que não perdoa o Japão

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A figura da escrava eterna encontra-se diante da embaixada japonesa em Seul desde 2011

JEON HEON-KYUN

Muitos anos depois, o Japão reconheceu finalmente a sua responsabilidade no caso das mulheres coreanas que foram forçadas a manter relações sexuais com militares do exército nipónico. Mas uma delas, permanentemente sentada diante da embaixada japonesa em Seul, na Coreia do Sul, não esquece o que aconteceu

À frente da embaixada japonesa em Seul está uma adolescente sentada numa cadeira, de pés descalços e punhos cerrados. Trata-se uma escrava sexual coreana, como tantas outras que foram obrigadas pelo exército nipónico a prostituir-se durante a ocupação japonesa, entre 1910 e 1945. A particularidade desta é ser feita de bronze e permanecer no mesmo sítio desde que ali foi instalada pelo Conselho Coreano de Mulheres Escravas Sexuais, em 2011 - e assim continua, mesmo agora que o acordo quanto a este assunto foi alcançado pelos dois países.

A obra acabou por motivar a aparição de dezenas de réplicas, um pouco por todo o mundo, e muitos pedidos da embaixada japonesa para que seja retirada ou transportada para outro local. Com o novo acordo, a estátua deverá mesmo ser instalada noutro lugar, simbolizando a pacificação das relações entre os dois países.

O Conselho Coreano de Mulheres Escravas Sexuais já se manifestou sobre o assunto, criticando fortemente a decisão e assegurando que não vai sequer discutir uma nova localização para a figura da adolescente eterna.

Japão pede desculpas

A Coreia do Sul e o Japão chegaram esta segunda-feira a acordo sobre um tema que vem sendo motivo de discórdia há várias décadas. O acordo prevê que o Japão disponibilize mil milhões de ienes (cerca de 7,6 milhões de euros) para um fundo de compensação destinado às mulheres que foram sexualmente escravizadas pelos militares do país.

Esta foi a primeira vez que o Japão assumiu as responsabilidades pelo ocorrido, tendo o chefe da diplomacia do país, Fumio Kishida, admitido esta terça-feira que “o assunto das mulheres de conforto (…) ocorreu com o envolvimento do exército japonês”: “O Governo japonês sente profundamente a sua responsabilidade”, confessou.

Estima-se que cerca de 200 mil mulheres tenham sido forçadas a prestar serviços sexuais a membros das tropas nipónicas até ao final da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Atualmente, só 46 destas mulheres continuam vivas - eram 63 quando a estátua que encara a embaixada japonesa foi erguida.