Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Troca de populações sírias atravessa três países

  • 333

Crianças sírias participam num protesto em frente aos escritórios da ONU em Beirute, pedindo o fim do cerco a várias cidades sírias, incluindo Zabadani

JAMAL SAIDI / REUTERS

A evacuação de três localidades sírias, esta segunda-feira, obriga populações a entrarem em dois países vizinhos antes de regressarem à Síria. Um processo complicado que espelha a complexidade deste conflito, a três semanas de uma nova ronda de conversações de paz, em Genebra

Margarida Mota

Jornalista

Três localidades sírias começaram a ser evacuadas, esta segunda-feira, na sequência de “acordos locais de reconciliação” entre regime e rebeldes. Mediados pelas Nações Unidas, em setembro passado, estes entendimentos visam levar os rebeldes a depor as armas em troca de assistência humanitária a populações sitiadas há meses.

Zabadani, junto à fronteira com o Líbano, era, até agora, uma cidade controlada por forças rebeldes e cercada por forças governamentais (apoiadas pelo movimento xiita libanês Hezbollah).

Um cortejo de veículos da Cruz Vermelha Internacional e das Nações Unidas transportou, esta segunda-feira, cerca de 120 combatentes e famílias, alguns deles feridos, através da fronteira com o Líbano. Em Beirute, estas pessoas apanharão um avião rumo à Turquia, para depois voltarem a entrar em território sírio, onde serão recolocadas em áreas controladas pelos rebeldes, na província de Idlib (noroeste).

Em contrapartida, precisamente em Idlib, um processo semelhante decorre nas aldeias xiitas de Fuaa e Kafraya (apoiantes do regime), que têm vivido sitiadas por forças sunitas, desde março.

Cerca de 335 pessoas, selecionadas entre os habitantes mais necessitados em termos médicos, beneficiarão de passagem segura, por terra, através do posto fronteiriço sírio-turco de Bab al-Hawa. Depois seguirão de avião até ao aeroporto de Beirute (Líbano) e regressarão por terra para zonas controladas pelo Governo sírio, nos arredores de Damasco.

Assad fortalece posição

A concretização de um outro acordo, visando a transferência de milhares de rebeldes — incluindo jiadistas do autodenominado Estado Islâmico (Daesh) — de dentro e dos arredores do campo de refugiados palestinianos de Yarmouk, a sul de Damasco, foi suspenso após o assassínio de um importante líder rebelde.

Zahran Alloush, comandante do Jaysh al-Islam (próximo da Arábia Saudita), foi morto na sexta-feira, num bombardeamento sobre a área de Ghouta, um bastião da oposição a leste de Damasco. Figuras da oposição atribuem o ataque à aviação russa, que bombardeia na Síria desde 30 de setembro em apoio do Presidente Bashar al-Assad.

Recentemente, o Jaysh al-Islam participou, na Arábia Saudita, em conversações de grupos da oposição, visando a preparação da terceira ronda de conversações de paz previstas para 25 de janeiro, em Genebra.

A eliminação de líderes como Zahran Alloush, que, no campo político, poderiam emergir como alternativas a Bashar al-Assad, fortalecem a posição do Presidente sírio e a sua retórica segundo a qual a alternativa à sua liderança é o terrorismo do Daesh.

A 15 de dezembro, após um encontro em Moscovo entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, os Estados Unidos deixaram cair a exigência da saída de Bashar al-Assad do poder. “Os Estados Unidos e os nossos parceiros não procuram a chamada mudança de regime”, afirmou Kerry.