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“O milagre do Bataclan” falou

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RAFAEL MARCHANTE / Reuters

Laura Croix, sobrevivente dos ataques terroristas em Paris no passado dia 13 de novembro, manifestou as primeiras reações após semanas de coma induzido

O relógio aproximava-se das 21h30 na sala de espectáculos do Bataclan, em Paris. Os tiros das armas confundiam-se com as batidas do rock dos Eagles of Death Metal: quatro membros do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) entraram na sala e mataram 90 pessoas. Laura Croix levou seis tiros e sobreviveu. Chamam-lhe o “milagre do Bataclan”.

Laura, de 31 anos e vocalista da banda francesa “The Traps”, acordou a 10 de dezembro do coma induzido. Depois de várias semanas a comunicar por gestos e pequenos movimentos, começa agora a falar sobre o terror que viveu no dia 13 de novembro.

Sébastien Croix, irmão da vítima, disse ao jornal britânico “The Sunday Times” que a primeira coisa que a irmã quis saber quando acordou foi o que tinha acontecido no Bataclan. Tinha consciência que muita gente tinha morrido e recorda-se de ter ouvido os primeiros disparos e de se ter atirado ao chão para se proteger. Seis semanas depois do ataque, continua a ter pesadelos e a ouvir os gritos dos terroristas que invadiram a sala. Danielle, a mãe de Laura, disse em declarações ao “The Telegraph” que a filha chorou quando a viu e ouviu pela primeira vez depois dos ataques.

Na página do Facebook das “The Traps”, pode ler-se apelos dos outros membros do grupo para que os cibernautas contribuam monetariamente para financiar o processo de recuperação de Laura.

A jovem cantora foi sujeita a dez operações delicadas para retirar as balas que se tinham instalado no peito e abdómen. Fraturou ainda um braço, a anca e dois dedos. Segundo os médicos, encontra-se agora num estado estável mas poderá passar mais um ano no hospital.