Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Naji Jerf, o inimigo do Daesh que morreu porque fazia filmes

  • 333

O funeral de Narji Jerf aconteceu esta segunda-feira

STR

Planeava mudar-se para França com a mulher e as duas filhas pequenas esta segunda-feira. Nunca vai concretizar essa viagem: foi morto este domingo por militantes do Daesh. Era realizador, ativista e, para os extremistas, “um alvo a abater”. Um dos seus documentários, que relata as atrocidades do Daesh na Síria, já foi visto mais de 12 milhões de vezes

Naji Jerf ficará conhecido como um homem corajoso - é o adjetivo que mais se associa ao seu nome nas redes sociais, onde também se diz que ele era o pior medo do Daesh. Falamos de Naji no passado porque o realizador e jornalista sírio foi assassinado este domingo na cidade turca de Gaziantep, um dia antes de partir para França com a mulher e as duas filhas pequenas.

Naji encontrava-se no centro da cidade turca, onde residia, quando foi abordado por indivíduos que se encontravam dentro de um carro. Passaram-se poucos minutos até ter sido atingido por um tiro na cabeça, acabando por perder a vida, aos 38 anos de idade.

O primeiro nome que veio à cabeça de quem conhece a obra de Naji foi o do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), uma vez que Naji era um conhecido ativista contra o grupo extremista. Membro do grupo ativista Raqqa is Being Slaughtered Silently, o realizador deixa como legado um documentário em que relata as ações do Daesh na cidade síria de Aleppo e que já foi visto mais de 12 milhões de vezes na internet.

Depois de a polícia turca ter admitido que Naji era, para os extremistas, um “alvo a abater”, tendo começado a interrogar testemunhas, várias contas do Twitter associadas a jiadistas já vieram reivindicar o homicídio.

No entanto, as mensagens deixadas nas redes sociais sobre a morte de Naji são de admiração:

O grupo de ativistas a que Naji pertencia também já deixou uma mensagem no seu Twitter para comunicar a morte do realizador:

No mês passado, os membros do Raqqa Is Being Slaughtered Silently foram a Nova Iorque para receber o Prémio para a Liberdade de Imprensa Internacional atribuído pelo Comité de Proteção de Jornalistas e falaram à BBC sobre o trabalho que têm desenvolvido para informar o mundo sobre o que se passa em Raqqa, centro das operações do Daesh: