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Londres e Nova Iorque replicam obra de arte que sobreviveu ao Daesh: “Estamos a devolver a dignidade às pessoas”

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Gustau Nacarino / Reuters

Monumento em causa foi construído na cidade síria de Palmira há dois mil anos e ali continua, apesar das tentativas de destruição do Daesh. Duas das mais importantes cidades do mundo homenageiam a obra. A mensagem é clara: “Se vocês podem destruir, nós podemos reconstruir”

Desde que a expansão do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) começou, têm sido muitos os monumentos e obras de arte destruídos à passagem dos extremistas. No entanto, o Arco de Palmira, construído na cidade síria homónima há cerca de dois mil anos, continua a resistir e vai agora ser alvo de homenagem em Londres e Nova Iorque, cidades onde vão ser construídas réplicas do monumento.

De acordo com as informações avançadas pelo britânico “The Guardian”, a construção destas réplicas deverá ser completada até à World Heritage Week (Semana da Herança Cultural), que no próximo ano se celebra em abril e cujo tema é, desta vez, a reconstrução e restauração. No entanto, o gesto também é interpretado como um desafio aos extremistas que têm destruído constantemente outras partes do Templo de Bel, estrutura na qual se inclui o Arco de Palmira original.

Até agosto, o Templo de Bel era considerado uma das ruínas mais bem preservadas daquela cidade. Mas, nesse mês, foi confirmada a destruição da estrutura por militantes do Daesh, que também executou publicamente Khaled al-Assad, o arqueólogo sírio até então encarregado da preservação do monumento.

O Arco de Palmira, que foi inicialmente construído como a entrada para o Templo de Bel, tem sido atacado pelos extremistas com frequência, tendo a imprensa internacional chegado a noticiar a sua suposta destruição. No entanto, as últimas notícias dão conta de que o monumento continua de pé.

A dignidade

A homenagem que vai ter lugar em Trafalgar Square e na Times Square surge de uma proposta do Instituto de Arqueologia Digital (IDA no acrónimo em inglês), no qual participam membros das universidades de Harvard e Oxford e do Museu do Futuro do Dubai.

O diretor da parte tecnológica do IDA, Alexy Karenowska, explica ao “Guardian” que o objetivo da homenagem é sublinhar que a cultura pertence a toda a humanidade: “A ideia é sublinhar que a herança cultural é partilhada pelas pessoas. Tem que ver com as raízes das pessoas e é importante reconhecer que a cultura é algo que todos os humanos percebem a um nível profundo”.

Já o diretor executivo do IDA vai mais longe e classifica a decisão como uma “afirmação política”: “É uma chamada de atenção para o que está acontecer na Síria, Líbia e no Iraque. Estamos a dizer-lhes ‘se podem destruir, nós podemos reconstruir’”. E conclui: “Estamos a devolver a dignidade às pessoas”.