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“Invejo tanto o meu marido”, diz mulher de kamikaze do Bataclan

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CHARLES PLATIAU / Reuters

A mulher de Samy Aminour confessa que gostava também de ter-se feito explodir e que se sente “orgulhosa” do marido, que foi um dos autores do ataque ao Bataclan no dia 13 de novembro

A mulher de Samy Aminour, um dos três 'kamikazes' da sala de concertos parisiense Bataclan, está orgulhosa da participação do marido nos atentados de novembro e lamenta não ter podido explodir-se com ele, noticia esta segunda-feira o diário "Le Parisien".

Em diversos correios eletrónicos enviados desde a Síria, Kahina, de 18 anos, disse ter estado ao corrente dos planos de Samy Aminour "desde o princípio", e de lhe ter falado em ir a França para "aterrorizar a população francesa, que tanto sangue tem entre as suas mãos".

"Nada será como dantes. Invejo tanto o meu marido, gostava tanto de ter estado com ele para me fazer explodir", assinalava numa mensagem no dia 18 de novembro, cinco dias depois dos ataques, que fizeram 130 mortos e mais de três centenas de feridos.

A jovem enaltecia a violência e assegurava que, enquanto continuassem a ofender o Islão e os muçulmanos, "todo o mundo" iria ser um objetivo potencial de atentados e "não só os polícias ou os judeus".

Kahina conheceu Amimour em 2013 e partiu com ele para a Síria, e em outros dos seus correios eletrónicos deixava antever que lá viviam, mas criticava os ataques da coligação contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI), que via como "uma guerra pura e dura contra o Islão e não contra o terrorismo".

"Em França e em outras partes vives bem, e aqui muita gente morre. É injusto. Dentro de pouco, se Alá quiser, a França e toda a coligação vai saber o que é a guerra em casa. Vocês matam-nos, nós matamos-vos. A equação é simples", dizia a mulher de Amimour, que foi sepultado na quinta-feira nos arredores de Paris.

Essa mesma mensagem foi lançada pelos três terroristas do Bataclan aos polícias com os quais tentaram negociar na noite dos ataques.