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Daesh tem departamento para “os despojos de guerra”

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Documentos apreendidos durante um raide na Síria, em maio deste ano, mostram detalhes da organização burocrática do grupo radical islâmico. Para os agentes norte-americanos, textos como estes ajudam a compreender o funcionamento do autoproclamado califado e a descobrir vulnerabilidades

O autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) terá um departamento governamental encarregue dos “despojos de guerra", que inclui a questão dos escravos, exploração de recursos naturais (por exemplo, petróleo) e criação de representações governamentais que permitam gerir grandes zonas na Síria e Iraque. Pelo menos é isto que indicam os documentos a que a agência Reuters teve acesso e que esta segunda-feira publicou.

Os documentos em causa foram apreendidos na Síria, durante um raide militar em maio deste ano, pelas Forças de Operações Especiais dos Estados Unidos da América. Os agentes asseguram que estes textos ajudam a compreender o funcionamento do grupo radical islâmico, uma vez que contêm detalhes acerca da hierarquia burocrática.

“O ISIS investiu mais na imagem de Estado e de califado do que qualquer outro grupo jiadista. Uma organização formal, além da questão prática por causa do controlo de tanto território e grandes cidades, também reforça a imagem do estatuto de Estado”, explica um especialista na estrutura do Daesh, citado pela agência Reuters.

Segundo os documentos, existe uma organização governamental com ‘diwan’, algo equivalente a ministérios. Por exemplo, um ‘diwan’ ocupa-se dos recursos naturais, que inclui a exploração de antiguidades de impérios ancestrais, enquanto outro está destinado à organização dos “despojos de guerra”, onde se incluem os escravos.

Além da questão da organização burocrática, os documentos revelam também “meticulosas indicações” para a gestão do sector do petróleo e gás.

Outro dos assuntos reportado é algumas rivalidades, atritos e conflitos pessoais dentro do Daesh, escreve a Reuters. Por exemplo, numa carta datada de 21 de novembro de 2014 destaca-se a liderança Abu Sayyaf no Diwan dos Recursos Naturais. “A razão dele [Abu Sayyaf] ocupar o lugar é por ser muito conhecedor da matéria e porque Abu Jihad al-Tunisi é um simplório que não consegue gerir a divisão”, lê-se.

Documentos como estes que foram apreendidos e agora tornados públicos, garantem os agentes norte-americanos, ajudam a coligação anti-EI a encontrar vulnerabilidades. São sobretudo fatwas ou regras religiosas que abordam assuntos como a violação de prisioneiras e o tratamento de escravos com filhos menores de idade e até as ocasiões em que é permitido um filho roubar um pai para financiar a viagem para combater na jiahd ou na guerra santa.

Todos estes textos, cartas e documentos representam apenas parte do material adquirido Forças de Operações Especiais dos Estados Unidos da América no raid de maio, no entanto a agência Reuters não foi capaz de comprovar de forma independente a autenticidade dos mesmos. Foram também apreendidos hard drives, pens, Cds e DVDs.