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Coreia do Sul e Japão alcançam acordo sobre "mulheres de conforto"

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Vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Zhang Yesui (à esquerda) com o homólogo chinês, Sung Nam

KIM MIN-HEE/EPA

O governo nipónico comprometeu-se a disponibilizar um fundo de mil milhões de ienes (cerca de sete milhões de euros) para ajudar as vítimas

É um acordo histórico. O Japão e a Coreia do Sul anunciaram um compromisso que coloca fim ao impasse sobre a questão das mulheres sul-coreanas obrigadas a prostituirem-se pelo exército nipónico durante a II Guerra Mundial.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países - Fumio Kishida e Yun Byung se - reuniram-se esta segunda-feira, tendo alcançado o acordo. O governo japonês reconheceu a responsabilidade do país, expressou remorsos e comprometeu-se a disponibilizar um fundo de mil milhões de ienes (cerca de sete milhões de euros) para ajudar as vítimas.

“O primeiro-ministro do Japão pede desculpas do fundo do coração a todos os que sofreram e que ficaram com marcas que são difíceis de curar física e mentalmente”, declarou o ministro japonês dos Negócios Estrangeiros Fumio Kishida, citado pela Reuters.

O homólogo sul-coreano garantiu por sua vez que o acordo será “definitivo” e “irreversível”, tendo ambos os países manifestado a intenção de cumpri-lo com “firmeza”.

O fundo destinado às “mulheres conforto” destina-se a recuperar a “dignidade” e a “honra” das vítimas. No entanto, o Executivo japonês pretende também que seja retirada uma estátua que simboliza as vítimas e que se encontra localizada frente à embaixada do Japão em Seul.

Entretanto, o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe e o seu homólogo sul-coreano Park Geun-hye deverão falar ao telefone.

O acordo constitui o fim daquele que era considerado o principal obstáculo das relações bilaterais entre Seul e Tóquio e surge na sequência da crescente pressão de Washington para os dois países reatarem os laços, de forma a enfrentarem a rival China e a ameaça nuclear da Coreia do Norte.

Cerca de 200 mil mulheres foram feitas escravas sexuais para soldados japoneses durante a II Guerra Mundial, a maioria da Coreia do Sul, mas também da China, Indonésia, Filipinas e Taiwan.

Apenas 46 mulheres que foram obrigadas a prostituirem-se pelo exército japonês continuam vivas na Coreia do Sul.