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Ramadi devolvida ao Governo iraquiano

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A tomada da cidade representa o fim de uma campanha militar iniciada na passada terça-feira, dia 22, quando o Exército iraquiano, apoiado por aviões da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, conseguiu alcançar o centro da cidade

Helena Bento

Jornalista

O exército iraquiano recuperou este domingo o controlo da cidade de Ramadi, ocupada pelo autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) desde maio deste ano, ao conquistar o antigo edifício governamental que até agora funcionava como centro de operações do Daesh na cidade.

A tomada da cidade representa o fim de uma campanha militar iniciada na passada terça-feira, dia 22, quando o Exército iraquiano, apoiado por aviões da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos e por aliados tribais sunitas, conseguiu alcançar o centro da cidade. Ao longo desta semana, os militares tiveram de enfrentar vários obstáculos - presença de atiradores furtivos, bombistas suicidas e engenhos explosivos - que lhes dificultaram a marcha, atrasando-a.

Na terça-feira, por exemplo, para conseguirem chegar ao centro da cidade os militares tiveram de improvisar uma passagem sobre o rio Eufrates, cujas pontes foram destruídas pelos combatentes do autoproclamado Estado Islâmico. E no sábado, quando os militares conseguiram avançar de tal modo que se encontravam apenas a 800 metros do edifício governamental agora tomado, tiveram de evitar vários engenhos explosivos e edifícios armadilhados.Um oficial do exército disse que só este fim de semana foram desativados 260 engenhos explosivos em Ramadi.

O facto de vários civis terem sido usados como escudos humanos pelos jiadistas, como tem sido prática recorrente do grupo extremista, acabou também por constituir um entrave ao avanço das forças militares.

Apesar disso, os combatentes extremistas que se encontravam no interior do edifício governamental acabaram por oferecer pouca resistência ao exército. Sabah al Numan, porta-voz do exército especial iraquiano, disse à AFP que todos os combatentes do Daesh, cerca de 400 (segundo relatos recentes) deixaram o edifício assim que as tropas se aproximaram, possivelmente em direção ao nordeste de Ramadi. O mesmo porta-voz acrescentou que a zona irá agora ser vistoriada para limpar bolsas de resistência que existam eventualmente na cidade e para detetar minas ou explosivos que possam ter sido deixados pelos jiadistas.

A entrada em Ramadi das forças iraquianas permitiu a mais de 250 famílias abandonar a cidade, informou Ali Dawood, um representante da cidade vizinha de Khaldiya, citado pelo "Guardian". Só no sábado foram resgatadas 120 famílias de zonas de combate e levadas em segurança para um campo perto de Habbaniya, no norte de Ramadi, referia um comunicado citado pela agência Reuters.

Ramadi, capital da região de Anbar, foi tomada pelos combatentes do autoproclamado Estado Islâmico em maio deste ano, perante a inércia e falta de preparação do exército e milícias leais ao Governo iraquiano, que bateram em retirada, deixando para trás veículos e armamento enviado, em grande parte, pelos Estados Unidos e Rússia. A reconquista este sábado da cidade tem sido encarada como o incentivo de que as forças iraquianas estavam a precisar.

  • Exército iraquiano perto de retomar controlo de Ramadi

    Ramadi, capital da região de Anbar, na zona central do Iraque e a apenas 110 quilómetros de Bagdade, foi tomada pelos combatentes do autoproclamado Estado Islâmico em maio deste ano. Agora, o objetivo do exército iraquiano, que tem recebido apoio aéreo da coligação liderada pelos Estados Unidos, é retomar o controlo da cidade e depois reconquistar Mossul, a segunda maior cidade iraquiana