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Presidente checo diz que crise dos refugiados é uma “invasão organizada”

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Esta não é a primeira vez que Milos Zeman se mostra contra a chegada de refugiados

FILIP SINGER

“Pergunto-me porque não estão estes homens a pegar em armas e combater pela liberdade dos seus países, enfrentando o Estado Islâmico”. Estas são as dúvidas do Presidente da República Checa relativamente aos refugiados

"Estou profundamente convencido de que estamos perante uma invasão organizada e não um movimento espontâneo de refugiados". As palavras são do Presidente da República Checa, Milos Zeman, que falou ao país no dia de Natal para expressar as suas preocupações relativamente à crise dos migrantes.

O chefe de Estado não ficou por aqui, acrescentando que, embora seja "possível" sentir compaixão pelas crianças, idosos e doentes que chegam de países em guerra, o mesmo não se pode dizer sobre os refugiados mais jovens: "A grande maioria dos migrantes ilegais são homens jovens, solteiros e de boa saúde. Pergunto-me por que não estão estes homens a pegar em armas e combater pela liberdade dos seus países, enfrentando o Estado Islâmico", questionou.

Zeman reforçou a ideia declarando que a fuga destas pessoas para países europeus serve apenas para reforçar o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

O primeiro-ministro do país já veio criticar a mensagem de Natal deixada por Zeman, declarando que esta mostra "preconceitos" e atribuindo ao chefe de Estado "uma simplificação das coisas".

A posição do Presidente checo sobre a crise dos refugiados já é conhecida, uma vez que em novembro Zeman esteve presente numa manifestação contra o Islão que decorreu em Praga, capital do seu país. Ao seu lado estiveram vários políticos de extrema-direita.

ONU acusa o país de violar os Direitos Humanos

Em outubro, o alto comissário das Nações Unidos para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein, já tinha denunciado a atuação do país no que toca ao acolhimento de refugiados, afirmando que as violações dos Direitos Humanos “aparentam ser uma parte integrante da política do Governo checo, concebida para levar a que os migrantes e refugiados não entrem ou permaneçam no país”.

A República Checa é o único país cuja legislação permite que os imigrantes e refugiados fiquem detidos entre 40 e 90 dias, consoante as diferentes situações. Para mais, à chegada os refugiados são revistados em busca dos cerca de nove euros que lhes são cobrados de taxa.