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ONU: Agora o “grande desafio” é integrar os migrantes

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JOE KLAMAR/ AFP/ Getty Images

As Nações Unidas afirmam que depois do fluxo de migrantes que chegou à Europa ao longo de 2015, “toda a gente está ciente de que são necessárias medidas de integração”. “É vital investir na educação” dos refugiados que receberem direito de asilo, garante o porta-voz da organização intergovernamental

Com a chegada à Europa de um grande número de imigrantes em 2015 o "grande desafio" passa a ser a sua integração, disse à Lusa Ruth Schöffl, porta-voz em Viena da agência das Nações Unidas para os refugiados (ACNUR).

"De um ponto de vista histórico, hoje em dia a consciência da necessidade de medidas de integração é muito maior que há 20 ou 40 anos", disse Schöffl. "Toda a gente está ciente de que são necessárias medidas de integração."

Schöffl dá o exemplo da Áustria, um país que tem "a experiência de uma população vinda de vários países, incluindo de países islâmicos". No entanto, a porta-voz do ACNUR reconhece que o grande fluxo migratório deste ano constitui "um grande desafio".

"São muito mais pessoas. [Este ano na Áustria] houve 80 mil pedidos de asilo, a maior parte destas pessoas, se olharmos para a sua nacionalidade - sírios, iraquianos, afegãos - vão receber proteção. Do nosso ponto de vista, muito dependerá das medidas de integração", continua Schöffl. "Fizemos um estudo há dois anos e uma das conclusões não era surpreendente: descobrimos que o que se passa na fase inicial - como [os refugiados] chegam, como são recebidos, se têm aulas de alemão - define o sucesso da sua integração."

A questão da integração tornou-se num ponto chave do debate político sobre os refugiados. Muitos milhares de combatentes do Estado Islâmico na Síria e no Iraque nasceram na Europa; a maior parte dos autores dos atentados terroristas deste ano em Paris eram cidadãos europeus. Os defensores de uma política de imigração mais restritiva apontam para os bairros de origem dos terroristas (como Saint Denis, em Paris, ou Molenbeek, na Bélgica) como exemplos de comunidades onde a integração de imigrantes vindos de países islâmicos falhou.

Há no entanto também quem defenda que a Europa necessita de imigrantes para combater o envelhecimento da sua população. Um estudo divulgado este ano pela universidade alemã de Coburg notava que a Alemanha vai precisar "de um balanço líquido anual de entre 276 mil e 491 mil imigrantes vindos de fora da União Europeia" para sustentar a sua economia.

Mas as necessidades da economia europeia podem não corresponder às habilitações imigrantes. Alguns dos recém-chegados, sobretudo vindos da Síria, são profissionais altamente qualificados. Mas esses são uma minoria, afirmou à Lusa Istvan Ivanovic, responsável de um centro de acolhimento em Viena da organização Volkshilfe.

"Diz-se por exemplo que os sírios têm um alto nível educação, mas quantos têm ensino universitário? Talvez 10, 20 por cento? E os outros?", pergunta. "É preciso haver projetos para refugiados", que lhes ensinem a língua do país de acolhimento e lhes deem as habilitações necessárias para poder entrar no mercado de trabalho, afirma Ivanovic.

"Muito depende da educação, particularmente a nível das crianças", acrescenta Ruth Schöffl. "É vital investir na educação" dos refugiados que receberem direito de asilo, acrescenta.