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Exército iraquiano perto de retomar controlo de Ramadi

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Foto da passada terça-feira, dia 22, dia em que os militares iraquianos conseguiram alcançar o centro da cidade de Ramadi

AFP/GETTY IMAGES

Ramadi, capital da região de Anbar, na zona central do Iraque e a apenas 110 quilómetros de Bagdade, foi tomada pelos combatentes do autoproclamado Estado Islâmico em maio deste ano. Agora, o objetivo do exército iraquiano, que tem recebido apoio aéreo da coligação liderada pelos Estados Unidos, é retomar o controlo da cidade e depois reconquistar Mossul, a segunda maior cidade iraquiana

Helena Bento

Jornalista

As tropas iraquianas estão cada vez mais perto de retomar o controlo da cidade de Ramadi, no Iraque, controlado pelo autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) desde maio deste ano.

Depois de na passada terça-feira, dia 22, terem conseguido chegar ao centro da cidade, graças a uma passagem improvisada sobre o rio Eufrates (as pontes haviam sido destruídas pelos combatentes do Daesh), o exército iraquiano, apoiado por meios militares aéreos da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, conseguiu alcançar o bairro de Hoz, onde fica um antigo edifício governamental que tem funcionado como centro de operações do autoproclamado Estado Islâmico na cidade.

Tal como aconteceu na terça-feira, em que as forças armadas iraquianas tiveram de enfrentar atiradores furtivos e bombistas suicidas que tentavam impedir o seu avanço, também na madrugada deste sábado houve várias tentativas por parte dos combatentes extremistas do autoproclamado Estado Islâmico para impedir a entrada das tropas em Hoz. Um porta-voz do exército iraquiano, citado pela Reuters, refere que foram detonadas bombas e evitadas várias armadilhas que tinham sido colocadas com o propósito de impedir o avanço do exército.

Neste momento, os soldados iraquianos encontram-se a apenas 800 metros do complexo governamental, indicou Yahya Rasool, porta-voz do comando das operações na cidade iraquiana, esclarecendo também que os ataques aéreos ajudaram a detonar engenhos explosivos e casas armadilhadas, facilitando o avanço das tropas.

O plano é libertar totalmente Ramadi do controlo do autoproclamado Estado Islâmico, mas não se sabe quanto tempo irá precisar o exército iraquiano para o fazer. Yahya Rasool, o referido porta-voz do exército iraquiano, recusou-se a estabelecer um prazo. "A prioridade da campanha é evitar a morte de civis e militares, independentemente do tempo que isso levar". Cerca de 120 famílias foram resgatadas este sábado da zona de combate e levadas em segurança para um campo perto de Habbaniya, no norte de Ramadi, refere um comunicado citado pela Reuters.

Ramadi, capital da região de Anbar, foi tomada pelos combatentes do autoproclamado Estado Islâmico em maio deste ano, num fim de semana em que morreram cerca de 500 civis e combatentes leais ao Governo iraquiano.

Nos meses seguintes, houve várias tentativas por parte das milícias xiitas apoiadas pelo Irão, muitas delas bem-sucedidas, embora não decisivas, para recuperar o controlo da cidade, mas desta vez foi decidido que a operação militar seria lançada pelo exército iraquiano, para evitar confrontos sectários com os muçulmanos sunitas residentes em Ramadi, cidade de maioria sunita, assim como toda a província de Anbar.

Se a operação for bem-sucedida, este será o segundo ponto estratégico a sair das mãos do autoproclamado Estado Islâmico, depois da cidade de Tikrit, que foi recuperada com o apoio de combatentes xiitas. O outro ponto estratégico que fica a faltar é obviamente Mossul, a segunda maior cidade iraquiana, tomada pelo Daesh no verão do ano passado