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Internacional

Suspenso acordo para retirar cerca de dois mil jiadistas do sul de Damasco

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AMER ALMOHIBANY/GETTY

Era esperada a saída de 18 autocarros dos bairros de Qadam e Hajar al-Aswad e do campo de refugiados de Yarmouk, no sul de Damasco, mas a morte do líder da milícia islamista Jaysh al-Islam, que foi atingido na sexta-feira num raide aéreo, veio alterar os planos

Helena Bento

Jornalista

O acordo para retirar cerca de quatro mil pessoas do sul de Damasco, entre combatentes do autoproclamado Estado Islâmico e civis, foi suspenso, informou este sábado à Reuters um organismo que monitoriza o conflito na Síria.

A notícia chega um dia depois da morte de Zahran Alloush, líder do Jaysh al-Islam, um dos mais poderosos grupos rebeldes que atuam na Síria (e o principal da região de Damasco), durante um raide aéreo que atingiu um local onde o grupo se encontrava habitualmente. Duas fontes próximas do grupo rebelde garantiram na altura à Reuters que ataque tinha sido conduzido por aviões russos, mas o Governo sírio reivindicou entretanto a sua autoria.

A transferência das cerca de quatro mil pessoas (dois mil combatentes extremistas, tanto do autoproclamado Estado Islâmico como da Frente Al-Nusra, braço armada da Al-Qaeda na Síria, e cerca de 1500 civis, segundo o "Guardian") do campo de refugiados de Yarmouk e de dois bairros vizinhos, Qadam e Hajar al-Aswad, onde os civis enfrentam duras condições de vida devido à falta de cuidados de saúde e escassez de alimentos, foi decidida durante as negociações entre o regime sírio e representantes daqueles bairros do sul de Damasco.

Era esperada a saída de 18 autocarros este sábado de manhã, transportando um primeiro grupo de 1200 pessoas, mas a morte de Zahran Alloush veio alterar os planos. “Os militares do Jaysh al-Islam tinha concordado em garantir a segurança da passagem dos autocarros por zonas a leste de Damasco, para que estes pudessem chegar a Raqqa [principal reduto do autoproclamado Estado Islâmico na Síria], mas a morte de Zahran Alloush fez com que tudo regressasse à estaca zero", revelou à AFP uma fonte das forças de segurança que estão a acompanhar as negociações. O plano só voltará a ser retomado quando a milícia islamista Jaysh al-Islam se reorganizar, acrescentou a mesma fonte.

Este sábado, um porta-voz do enviado especial da ONU na Síria informou que as Nações Unidas planeiam convocar um encontro para dia 25 de janeiro entre o Presidente sírio Bashar al-Assad e as forças que se opõem ao seu regime. O objetivo é construir pontes e facilitar o diálogo entre as várias fações. Mas vários analistas políticos já vieram dizer que a morte de Zahran Alloush poderá prejudicar ou fragilizar um processo de paz que já de si é frágil. O grupo que ele liderava é visto como um dos mais influentes no campo em que se movimentam as várias forças políticas e militares que intervêm no conflito da Síria. "Dado o poder e temperamento autoritário de Alloush, vai demorar muito tempo até que o Jaysh al-Islam se recomponha deste golpe e eleja um novo líder", afirmou o analista Karim Bitar, citado pela AFP.