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Pequim expulsa jornalista francesa após artigo sobre terrorismo

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GREG BAKER/ Getty Images

Ursula Gauthier, da revista L'Obs, publicou um artigo sobre a região de Xinjiang (noroeste da China). O local é descrito como um “foco frequente de tensões” entre a maioria étnica Han e a minoria muçulmana Uigur. A jornalista tinha sido anteriormente criticada pelas autoridades chinesas e foi também alvo de ameaças à integridade física e profissional

O Governo chinês confirmou este sábado que não vai renovar a autorização de correspondente à jornalista francesa Ursula Gauthier, da revista L'Obs, por causa de um artigo sobre terrorismo e resposta de Pequim aos atentados de Paris.

O porta-voz do Ministério dos Assuntos Exteriores da China, Ku Lang, indicou que a jornalista francesa terá de abandonar o país até 31 deste mês e acusou-a, num comunicado, de "defender os terroristas" e de provocar a "ira" no povo chinês numa reportagem publicada pela revista a 18 de novembro último.

No artigo, Ursula Gauthier abordou a situação na região de Xinjiang (noroeste do país), como um "foco frequente de tensões" entre a maioria étnica Han e a minoria muçulmana Uigur, depois de a China reivindicar que também é "vítima" do terrorismo após os atentados de Paris.
A reportagem gerou uma forte reação do Governo de Pequim, que chamou a jornalista ao Ministério dos Assuntos Exteriores e congelou o processo de renovação da carteira de jornalista correspondente como forma a obrigar Ursula Gauthier a retratar-se.

"Como não apresentou uma desculpa séria ao povo chinês pelas suas afirmações erróneas sobre atos terroristas, não é adequado que continue a trabalhar na China", afirmou.

No artigo, Ursula Gauthier refere que a região de Xinjiang tem sido alvo de vários ataques nos últimos anos, incidentes que as autoridades chinesas associam aos grupos 'jihadistas', embora alguns responsáveis da minoria Uigur, exilados, considerem que se trata de respostas à repressão que esta comunidade sofre por parte do regime de Pequim.

Na semana posterior aos atentados de 13 de novembro em Paris - que provocaram 130 mortos e mais de 350 feridos -, o Governo chinês reivindicou junto da comunidade internacional que a China deve ser considerada como "mais uma vítima do terrorismo", exemplificando com o ataque a uma mina em Xinjiang, ocorrido a 18 de setembro, cerca de dois meses antes, que até então ficara em segredo.

A jornalista francesa, em Pequim há seis anos, já foi criticada pelas autoridades de Pequim em artigos publicados em diários oficiais chineses, onde foi também alvo de ameaças à sua integridade física e profissional.

Sexta-feira, Ursula Gauthier, anunciou ter sido informada pelas autoridades chinesas de que seria expulsa do país a 31 de dezembro de 2015, sendo o primeiro jornalista estrangeiro a ser expulso desde 2012.

"Confirmaram-me que se eu não pedisse desculpas públicas (...), quebrando a solidariedade com as Organizações Não-Governamentais (ONG) estrangeiras, não seria renovada a minha acreditação como jornalista no país, o que obriga a que tenha de abandonar o território chinês", esclareceu.

"As autoridades chinesas são inflexíveis e inamovíveis", lamenta.

A jornalista já tinha dito às autoridades que um pedido de desculpas público estava "fora de questão" e, a seu ver, era "impensável".

O último jornalista a ser expulso da China foi Melissa Chan, que trabalhava para o canal de televisão Al Jazeera, em 2012.