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Internacional

Quatro mil jiadistas e civis vão ser retirados do sul de Damasco

Habitantes do campo de refugiados de Yarmouk, na Síria

EPA

Cerca de quatro mil pessoas, incluindo dois mil combatentes do autoproclamado Estado Islâmico e da Frente Al-Nusra, vão ser transferidas do campo de refugiados de Yarmouk e dos bairros de Qadam e Hajar al-Aswad, onde se tem assistido a uma degradação das condições de vida devido ao cerco imposto pelo regime sírio de Bashar al-Assad

Helena Bento

Jornalista

Cerca de quatro mil pessoas, incluindo dois mil combatentes do autoproclamado Estado Islâmico e da Frente Al-Nusra, o braço armado da Al-Qaeda na Síria, vão ser retiradas de áreas controladas por rebeldes no sul de Damasco, capital síria.

O processo de transferência, que está a ser mediado pelas Nações Unidas, é o resultado de negociações entre o regime sírio e os civis do campo de refugiados palestiniano de Yarmouk - que funcionava como base do autoproclamado Estado Islâmico - e dos bairros de Qadam e Hajar al-Aswad, onde se tem assistido a uma degradação das condições de vida - são cada vez mais escassos os alimentos e a ajuda humanitária - devido ao cerco imposto pelo regime sírio. Dados recentes da Rede Síria para os Direitos Humanos apontam para cerca de oito mil sírios mortos pelo Exército do Presidente Bashar al-Assad, entre janeiro e julho deste ano.

Uma notícia publicada na semana passada (dia 14) no jornal americano "Washington Post" dava conta das dificuldades por que também estão a passar milhares de sírios no norte do país, impossibilitados de ter acesso a cuidados de saúde e alimentos devido aos bombardeamentos russos na região, que têm, além de dizimado civis, bloqueado rotas importantes de abastecimento e destruído hospitais. As maiores dificuldades começaram a sentir-se depois do abate do Su-24 da Rússia por parte da Turquia, que levou a que o Governo de Moscovo intensificasse os ataques aéreos naquela região.

As cerca de quatro mil pessoas (dois mil combatentes extremistas e cerca de 1500 civis, segundo o "Guardian") vão começar a ser transferidas a partir deste sábado. A Reuters, citando a estação televisiva Al-Manar, refere que 18 autocarros terão sido já mobilizados para as zonas em causa. Sabe-se também que na quinta-feira uma unidade do Exército sírio entrou em Qadam, um dos bairros que vão ser evacuados, para recuperar a artilharia pesada e o equipamento militar usado pelos jiadistas.

De acordo com a Al-Manar, o acordo entre as várias partes implica a entrega das armas na posse dos combatentes extremistas ao Exército sírio. Já a AFP, que cita um representante local do bairro de Qadam, refere que cada combatente será autorizado a partir com a sua família, uma mala e a sua arma pessoal. O Governo sírio espera que esta desmobilização lhe permita retomar o controlo de áreas consideradas estratégicas.

Fonte governamental disse à AFP que as pessoas serão transferidas para Raqqa, principal reduto do autoproclamado Estado Islâmico na Síria, ou para Marea, localidade da província de Alepo, junto à fronteira com a Turquia, controlada por grupos rebeldes islamistas e da Frente Al-Nusra.

Na quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros sírio disse que o país está preparado para participar nas discussões para a paz, que deverão decorrer em janeiro sob a égide da ONU em Genebra. Walid Mualem espera que o diálogo ajude a formar um governo de união nacional.