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Zimbabwe quer adotar moeda chinesa

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Patrick Chinamasa, ministro das Finanças do Zimbabwe, à saída do Parlamento, em Harare

© Philimon Bulawayo / Reuters

Sem moeda própria desde 2009, o Zimbabwe planeia começar a usar o yuan nas suas transações comerciais com a China. Em troca, Pequim prepara um cancelamento de dívida

O Zimbabwe planeia adotar a moeda chinesa em troca da anulação de uma dívida no valor de 40 milhões de dólares (aproximadamente 37 milhões de euros).

A China tornou-se o maior investidor no país, que está a tentar recuperar da profunda recessão que enfrentou entre 1999 e 2008, e na sequência da qual o Governo foi obrigado a abandonar a sua própria moeda, em 2009.

Segundo a Al-Jazeera, o ministro das Finanças, Patrick Chinamasa, afirmou em comunicado, esta segunda-feira, que “o yuan terá uma função comercial entre a China e o Zimbabwe”. O governante também informou que a China já iniciou o processo de cancelamento da dívida.

Nos últimos cinco anos, o Zimbabwe pediu à China, em empréstimos, mais de 1000 milhões de dólares (cerca de 915 milhões de euros), o que tornou a China o segundo maior parceiro económico daquele país africano.

O economista John Robertson explicou à Al-Jazeera que ainda não existe circulação da moeda chinesa no Zimbabwe e que o dólar americano e o rand sul-africano são as moedas dominantes no país.

O Presidente do Banco Central do Zimbabwe, John Mangduya, já discutiu com o Banco Popular da China formas de aumentar o uso da moeda chinesa no país.

Em outubro deste ano, a China atribuiu ao Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, que está no poder há 35 anos, o Prémio Confúcio, uma espécie de Nobel da Paz chinês, instituído em 2010, após Pequim irritar-se com a atribuição do Nobel da Paz, pela Academia Sueca, ao escritor dissidente chinês Liu Xiabo. O reconhecimento de Mugabe foi então interpretado como um sinal da aproximação entre o Zimbabwe e a China.