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Rússia está a matar civis na Síria, denuncia a Amnistia Internacional

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Destruição provocada por um bombardeamento da Rússia numa área residencial da cidade de Darat Izza, na província de Alepo, a 7 de outubro passado

© Ammar Abdullah / Reuters

Uma análise a 25 ataques da aviação russa na Síria permitiu à Amnistia concluir que entre os alvos há zonas residenciais, um mercado, uma mesquita e um hospital. A organização humanitária acusa ainda a Rússia de usar bombas de fragmentação “de forma indiscriminada”

Margarida Mota

Jornalista

Os bombardeamentos russos na Síria já mataram pelo menos 200 civis, denunciou a Amnistia Internacional, num relatório divulgado esta quarta-feira.

A organização de defesa dos direitos humanos diz ter analisado mais de 25 ataques russos em Homs, Hama, Idlib, Latakia e Alepo, realizados entre 30 de setembro e 29 de novembro.

O documento exemplifica um ataque realizado na província de Idlib, a 29 de novembro. Um caça russo disparou três mísseis na direção de um mercado na área de Ariha. Era domingo e o local estava cheio de gente. Um ativista local disse à Amnistia que 49 civis foram mortos ou estão dados como desaparecidos.

Mohammed Qurabi al-Ghazal acrescentou que a área é controlada pelo Jaysh al-Fatah, mas que não havia presença do grupo islamita na zona de Ariha.

A Aministia acusa a Rússia de usar bombas de fragmentação “de forma indiscriminada” e bombas sem sistemas modernos de guiamento em “áreas densamente povoadas”, o que pode constituir crimes de guerra.

Entre os alvos dos ataques de Moscovo, estão identificados, para além de áreas residenciais e do mercado de Ariha, uma mesquita e um hospital.

A Rússia começou a bombardear na Síria em setembro passado, a pedido do Presidente Bashal al-Assad, justifica Moscovo. Os russos insistem que atacam apenas posições “terroristas”, sejam do autodenominado Estado Islâmico (Daesh), sejam de outros grupos armados, alguns deles apoiados pelo Ocidente.

A Amnistia diz que está a investigar também ataques realizados pela coligação liderada pelos Estados Unidos, desde setembro de 2014.