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O “não” de Sánchez

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A proposta de Mariano Rajoy, líder do PP, não chegou para convencer o socialista. Pedro Sánchez diz que o PSOE não está disposto a viabilizar um Governo à direita e rejeita eleições para já. Solução à esquerda pode ser alternativa

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

JAVIER LIZON / EPA

Vinte minutos. Foi esse o tempo que bastou para Mariano Rajoy, líder do Partido Popular (PP) espanhol e Pedro Sánchez, dirigente socialista, deixarem claras as suas posições. À saída da reunião no Palácio da Moncloa, Sánchez esclareceu que mantém a sua decisão de votar “Não” a um Governo liderado pelo PP. “O PSOE não vai apoiar a continuidade de Rajoy e do PP porque os cidadãos votaram pela mudança.” Ou seja, os 90 deputados socialistas não se irão abster, votando antes “não” à formação de um Governo de iniciativa dos conservadores.

Depois de uma campanha acesa, onde Sánchez e Rajoy tiveram um debate aceso com uma troca de acusações de “indecência” e “mesquinhez”, o socialista aceitou agora o convite de Rajoy para ouvir as propostas do antigo primeiro-ministro. Uma decisão que se justifica, segundo o líder do PSOE, porque “agora é o tempo do partido que ganhou as eleições” tentar formar Governo.

No entanto, o PSOE parece não estar disposto a colaborar nessa tentativa - muito embora, segundo “El País”, Rajoy estivesse disposto a aceitar algumas mudanças constitucionais pretendidas pelos socialistas e a possibilidade de ser o PSOE a presidir ao Congresso. O que quer que Rajoy estivesse disposto a oferecer, Sánchez não quis sequer ouvir, deixando logo clara a posição do PSOE. Rajoy irá continuar a ouvir os restantes partidos a partir de segunda-feira, mas sem pelo menos a abstenção dos socialistas é bastante difícil para o PP conseguir formar Governo.

A bola poderá passar assim para os socialistas, que asseguraram pretender um Governo “de estabilidade”. Sánchez parece estar apostado em tentar uma solução “à portuguesa”, procurando apoio de outras forças políticas, nomeadamente à sua esquerda, com o Podemos de Pablo Iglésias a ocupar um lugar central nessa negociação. Não só o PSOE diz querer “um Governo de mudança” como Sánchez declarou que quer evitar a realização de novas eleições. “É a última das opções”, esclareceu.

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