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China. Ativistas laborais detidos e acusados de perturbarem a ordem

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Um dos detidos é Zeng Feiyang, diretor do Centro de Trabalhadores Migrantes de Guangdong Panyu

Reuters

Grupos de direitos cívicos dizem que está a ter lugar a maior perseguição aos dissidentes na China nas últimas duas décadas

Os media estatais chineses estão a lançar inúmeras acusações contra sete ativistas de direitos laborais detidos este mês, por nomeadamente “incitarem os trabalhadores à greve” usando a reivindicação dos direitos laborais como um argumento para “perturbarem a ordem pública”.

Entre os sete ativistas encontra-se Zeng Feiyang, diretor do Centro de Trabalhadores Migrantes de Guangdong Panyu, detido no âmbito daquela que os grupos de direitos cívicos consideram ser a maior operação de perseguição aos ativistas desta área nas últimas duas décadas.

A agência de notícias chinesa Xinhua lançou ao fim do dia de terça feira um longo artigo sobre as alegações usadas pela polícia para as detenções, referindo que Zeng e os outros ativistas “receberam durante muito tempo apoio do estrangeiro enquanto intervinham em disputas laborais domésticas, perturbando gravemente a ordem pública e violando seriamente os interesses dos trabalhadores”.

Zeng é ainda acusado de fraude, adultério, peculato e de ter usado a sua organização para enriquecer, canalizando os donativos vindos do estrangeiro para a sua conta pessoal.
As acusações, também divulgadas na estação televisiva CCTV esta quarta feira, surgem após as “confissões” dos detidos.

As detenções ocorreram na sequência do aumento das disputas laborais em Guangdong, numa altura de abrandamento da economia chinesa.

Em novembro, o Labour Bulletin, grupo sediado em Hong Kong, deu conta de 56 greves em Gaungdong, referindo que diversas fábricas da região estão a fechar e os seus responsáveis a fugir sem pagarem os salários em dívida.