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PSOE. A menina dança?

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Pedro Sanchez, o líder do PSOE

SERGIA BARRENECHEA

No rescaldo das eleições em Espanha, o Partido Popular de Mariano Rajoy procura o apoio dos socialistas para poder formar Governo. O PSOE terá de decidir se volta atrás com a palavra e viabiliza um Executivo de Rajoy ou se procura uma aliança alternativa à esquerda. À falta de acordo, os espanhóis voltarão às urnas

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

O Partido Popular quer um acordo. Isso foi o que o seu líder, Mariano Rajoy, deixou claro esta segunda-feira, numa conferência de imprensa onde garantiu que procura um acordo para formar um Governo estável que dê “uma sensação de segurança”, dentro e fora de Espanha. “Vou empenhar-me com o meu maior esforço para promover esse diálogo e tentar que chegue a bom porto”, declarou o antigo primeiro-ministro aos jornalistas.

Rajoy não o confirmou, mas é praticamente certo que, para isso, espera contar com a ajuda do PSOE e do Ciudadanos. “Os partidos com que vou falar são aqueles com os quais as minhas ideias coincidem”, declarou. Uma coligação a três parece uma hipótese remota porém, o líder do PP espera contar com a abstenção dos dois partidos no Congresso para poder ver o seu Governo aprovado. Foi precisamente essa a solução que o líder do Ciudadanos declarou ser a sua favorita: “Deixámos claro que o nosso projeto não é o de Rajoy e por isso estaremos na oposição, mas, em vez de umas eleições antecipadas, já afirmámos que podemos abster-nos.”

Se convencer o Ciudadanos foi fácil, os socialistas do PSOE revelam ser um osso mais duro de roer. O seu líder, Pedro Sánchez, já garantiu que não está disponível para fazer passar um Governo de Rajoy, numa decisão que terá ainda de ser ratificada este sábado no comité federal do partido. “O PSOE votará ‘não’ ao Executivo liderado por Mariano Rajoy”, garantiu o dirigente socialista César Luena. Conseguirá Rajoy convencer o partido a mudar de ideias?

Acordo complicado à esquerda

Tal cenário abriria a porta a uma aliança à esquerda, algo que desagrada a muitos barões do partido, sobretudo devido às “linhas vermelhas” impostas pelo Podemos de Pablo Iglésias. Isso mesmo garante o jornal “El Español”, que escreve que um pacto desses é visto por dirigentes como Susana Díaz (presidente na Andaluzia e vista como uma das possíveis substitutas de Sánchez) como “uma insensatez”.

Outros dirigentes socialistas falam ainda ao jornal na aritmética complicada de tal acordo, já que um pacto com o Podemos não seria suficiente, sendo ainda necessário convencer outras forças políticas mais pequenas como a Izquierda Unida e necessitaria provavelmente da abstenção do Ciudadanos.

A complicar ainda mais as contas, não é óbvia a posição do Podemos numa hipotética negociação com o PSOE. Para começar, Iglésias deixou claras as suas condições: reforma constitucional e realização de um referendo sobre a independência da Catalunha, este último um ponto muito difícil de aceitar pelos socialistas. Poderá o Podemos ceder? “O seu dilema é decidir o que pedir e ao que renunciar numa negociação hipotética com o PSOE”, resume “El País”.

Seja como for, tudo depende da decisão dos socialistas: permitir um Governo do PP ou procurar uma solução “à portuguesa”, mais à esquerda? Se uma solução não surgir até 13 de janeiro, Espanha irá novamente a eleições.