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O refugiado que atravessou o mar Egeu a nado. “Há muitos mais como eu”

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Durante meses, recordou os tempos em que era nadador profissional e treinou arduamente. Quando chegou o dia, lançou-se ao mar. Na cabeça só tinha uma ideia: “o futuro”

Numa noite de setembro, Ameer Methr sentiu-se finalmente preparado para começar aquela viagem. Depois de fintar a polícia turca, ainda lhe faltava percorrer mais seis quilómetros e quatrocentos metros até chegar à ilha grega de Samos. Quando os seus pés tocaram a areia, mergulhou e fez aquilo para que se tinha preparado: nadou, nadou, nadou e chegou finalmente à Grécia, como refugiado.

Na altura em que o episódio se passou, Ameer encontrava-se refugiado na Turquia, embora a sua nacionalidade seja síria. O ex-nadador sabia que precisava de chegar à Europa, mas também sabia que a família não tinha dinheiro suficiente para pagar a travessia de barco, depois de ter perdido a própria casa durante a guerra na Síria.

Ameer viu-se obrigado a tomar uma decisão: recordando os tempos de nadador na equipa nacional da Síria, estudou a forma mais rápida de fazer a viagem até à Grécia a nado e treinou. Durante meses, nadou diariamente com o objetivo final em mente. Quando o dia chegou, atou alguns objetos pessoais à cintura - como um telemóvel e um dispositivo onde guardava fotografias da sua família - e lançou-se ao mar.

“Pensei que ia morrer a cada segundo”, diz o refugiado, citado pelo britânico “The Sunday Times”. No entanto, motivado por pensar que à sua frente se encontrava “o futuro”, Ameer nadou até chegar à costa grega.

Um mês depois, Ameer chegava à Suécia, país onde reside atualmente. Agora, conta que a sua história não é única: “Há muitos mais que chegam a nado”.