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Protestos na Índia após libertação de jovem condenado por violação coletiva

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ADNAN ABIDI/REUTERS

Jovem que participou numa violação coletiva estava há três anos num centro de correção para menores. Pais da vítima consideram que o indivíduo não está arrependido, não devendo ser libertado

Centenas de pessoas manifestaram-se este domingo junto à Porta da Índia, em Nova Deli, após a libertação do mais jovem de seis indivíduos condenados por uma violação coletiva em 2012.

Entre os manifestantes encontravam-se os pais da jovem - Jyoti Singh - que foi agredida e que acabou por morrer há três anos, na sequência de ferimentos. Ambos não se conformam com a decisão judicial. “Eu só quero justiça”, declarou Asha Singh, mãe da vítima, citada pelo “Guardian”.

“Não só na Índia, mas também no estrangeiro - as pessoas não querem a sua libertação. O primeiro-ministro tem o poder de evitar isso, mas ninguém está a tomar qualquer atitude”, afirmou por sua vez o pai da jovem, sublinhando que o jovem não está arrependido.

Nirbhaya (A Destemida) - nome dada à vítima pelos media - foi violada brutalmente num autocarro em dezembro de 2012. Dos seis agressores da estudante de 23 anos, quatro foram condenados à pena morte e um deles suicidou-se na prisão. O outro - por ter 17 anos, sendo menor na altura - deu entrada num centro de correção por três anos.

Na sexta-feira, o Supremo Tribunal de Justiça indiano rejeitou um pedido para extender a pena atribuída ao jovem, que acabou por ser libertado este domingo. “Nós concordamos que se trata de um assunto sério. Mas depois de 20 de dezembro o jovem não pode ser mantido no centro por lei”, declarou o juiz do tribunal.

A líder da Comissão das Mulheres de Nova Deli, Swati Maliwal apresentou no sábado uma petição ao Supremo Tribunal de Justiça para tentar impedir a libertação do agressor, mas sem sucesso.

O caso desta violação gerou uma onda indignação geral há três anos na Índia, tendo sido realizados vários protestos no país. Com a pressão da comunidade internacional, o governo indiano viu-se obrigado a endurecer as penas contra os agressores, no entanto, várias associações de defesa da mulher consideram a medidas insuficientes.