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Espanha. PP declara vitória sem maioria nas eleições

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Angel Diaz/EPA

A vice-presidente do executivo espanhol anunciou que o Partido Popular venceu as eleições deste domingo com 28,7% dos votos, quando a contagem se aproxima do fim. O líder do Podemos elogiou, por sua vez, o “fim do bipartidarismo” e a “ inauguração de uma nova etapa política” no país

O Partido Popular (PP, direita), no poder em Espanha, ganhou as legislativas deste domingo, ao conseguir 28,7% dos votos, quando estão contados mais de 90% dos boletins, anunciou a vice-presidente do governo espanhol.

"De acordo com os dados de que dispomos, com 94,14% dos boletins contados, o Partido Popular ganhou estas eleições gerais", com 122 deputados, declarou Soraya Sáenz de Santamaría.

A responsável acrescentou que o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) ficou em segundo, com 91 lugares e 22,19% dos votos. O Podemos (esquerda radical) é a "terceira força política", com 59 e 20,61%, disse, numa conferência de imprensa conjunta com o ministro do Interior, Jorge Fernández Díaz.
O Ciudadanos surge em quarto lugar com 40 deputados e 13,8% dos votos.

A vice-presidente do governo e o ministro do Interior estão também a apresentar os resultados por comunidades, quando se aproxima o fim da contagem dos boletins.

Podemos insiste na reforma constitucional

O secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, reafirmou que os resultados das eleições gerais em Espanha indicam "o fim do bipartidismo" e considerou como prioridade do seu partido uma reforma constitucional ampla.

"Hoje nasceu uma nova Espanha. Inaugura-se uma nova etapa política no país. As forças da mudança obtiveram mais de 20 por cento dos votos, mais de 5 milhões de votos em todo o país", afirmou Pablo Iglesias, numa referência ao seu partido e às formações "irmãs" que apoiou, o En Comú Podem da Catalunha, o Compromís da Comunidade Valenciana e o En Mareas da Galiza.

Iglesias, aliás, recordou que o Podemos foi a força mais votada na Catalunha e no País Basco e a segunda mais votada em comunidades como Madrid e Galiza (em ambos os casos atrás do PP).

Com 97% dos votos escrutinados, o PP regista 121 deputados, seguido do PSOE - com 92 -, do Podemos, que se estreia no parlamento com 69 deputados, e do Ciudadanos, com 40 assentos.

O líder do Podemos realçou que o PP de Mariano Rajoy obteve o seu pior resultado desde 1989 e o PSOE de Pedro Sánchez o seu pior resultado desde que há democracia em Espanha (1977).
"Acabou-se o sistema da rotação [de poder] em Espanha, acabou-se o bipartidismo. Somos a única força política de âmbito estatal capaz de liderar um acordo plurinacional que respeite as forças da mudança" que os espanhóis pedem, disse Pablo Iglesias.

Assim, o líder do Podemos enumerou as suas prioridades: "em primeiro lugar a blindagem dos direitos sociais na constituição", defendendo o direito à habitação contra os despejos, a saúde pública e a educação.

Também recordou como prioridade - do seu programa - uma reforma do sistema eleitoral, "imprescindível e inadiável" - que permite o desenvolvimento "plurinacional de Espanha" e que permita uma moção de confiança ao governo em caso de não cumprimento do seu programa.

"Estamos a começar uma nova era política no nosso país e a nossa agenda, antes de mais, é a reforma constitucional", disse Iglesias ao ser questionado sobre possíveis acordos com outras formações para formar Governo ou para a votação de investidura do presidente do Governo.