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36,5 milhões escolhem novo Governo em Espanha. Solução à portuguesa à vista?

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JAVIER SORIANO/AFP/Getty Images

Ao contrário de eleições gerais anteriores, a força mais votada (as sondagens apontam para o PP de Rajoy) não deverá conseguir nem maioria absoluta, nem maioria suficiente para fazer um acordo com pequenos partidos regionais ou nacionalistas. Entre os vários cenários possíveis, a hipótese de alianças entre os outros partidos - que os políticos espanhóis apelidam de “solução à portuguesa” - não está excluída

Mais de 36,5 milhões de eleitores podem ir este domingo às urnas para escolher um novo Governo em Espanha, eleições que deverão resultar na necessidade de acordos pós-eleitorais para formação do executivo, ou seja, o fim do bipartidismo.

Na votação, que decorre entre as 9h e as 20h locais (menos uma hora em Lisboa), os espanhóis vão eleger os 350 deputados do novo parlamento (Congresso dos Deputados) em 52 circunscrições. Serão depois estes a escolher o presidente do Governo, que até ao momento em Espanha sempre saiu da força mais votada.

Numa primeira votação no parlamento para presidente do Governo é necessária uma maioria absoluta, mas na seguinte basta uma maioria simples.

No entanto, ao contrário de eleições gerais anteriores, a força mais votada (todas as sondagens indicam que deverá ser o PP de Mariano Rajoy, atual líder do executivo) não deverá conseguir nem uma maioria absoluta, nem uma maioria suficiente para fazer um acordo com pequenos partidos regionais ou nacionalistas. Pelo contrário, precisará de fazer um acordo com um ou mais dos outros três partidos mais fortes: o PSOE de Pedro Sánchez, e as novas formações, o Ciudadanos de Albert Rivera e o Podemos de Pablo Iglesias.

Ao não conseguir uma maioria suficiente, o vencedor também poderá ficar exposto a um acordo dos outros três ou mais partidos, colocando no Palácio da Moncloa (sede do Governo) o líder de uma força que não tenha sido a mais votada.

A esse cenário - que os dirigentes políticos em Espanha apelidaram de “solução à portuguesa” - há que juntar um outro: que um ou outro partido condicione o seu apoio ao afastamento dos atuais líderes dos partidos tradicionais, Rajoy ou Sánchez.

Independentemente dos cenários admitidos pelos vários candidatos em campanha, os espanhóis estão convencidos de que as negociações entre os partidos poderão ser longas e duras e até mesmo durar dois meses.

A campanha para as “gerais” espanholas ficou marcada por debates agressivos na televisão (debates “a quatro” sem Mariano Rajoy e um frente-a-frente entre Rajoy e Sánchez que culminou em insultos) e mesmo uma agressão a murro ao presidente do Governo, numa arruada em Pontevedra (Galiza).

As eleições de este domingo são também as primeiras que se realizam com Espanha num grau de alerta 4 (o penúltimo antes do mais alto, o 5) de ameaça terrorista. Assim, 91.700 agentes da autoridade estão mobilizados para o dia eleitoral (28.803 polícias, 44.221 militares da Guardia Civil, agentes das polícias autonómicas e 13.000 polícias municipais e efetivos da Proteção Civil).