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Oposição síria escolhe primeiro-ministro dissidente como representante

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A eleição de Riad Hijab procura atenuar as divisões que enfraquecem a posição dos movimentos em luta contra o regime sírio

O ex-primeiro-ministro sírio, Riad Hijab, foi eleito na quinta-feira na Arábia Saudita como representante dos movimentos da oposição síria nas negociações para a paz.

Hijab, que abandonara o regime sírio em 2012, obteve dois terços dos votos dos 34 delegados dos grupos que se encontram a combater as forças do Presidente Bashar al-Assad, entre os quais o Ahrar al-Sham e diversas unidades do Exército Sírio de Libertação, que receberam apoio dos Estados Unidos e da Arábia Saudita.

Esta aliança e as negociações para a paz não envolvem os grupos islamitas que também se opõem a Assad na Síria, a Frente Nusra, ligada à Al Qaeda, e o autodenominado Estado Islâmico (Daesh).

As divisões entre os diversos grupos da resistência síria tidos como moderados têm enfraquecido a sua posição no conflito e a eleição do ex-primeiro-ministro ocorreu num processo em que as tensões se continuaram a sentir, com a votação a concretizar-se após horas de discussão e para a escolha de um coordenador e não de um leader.

“O coordenador tem menos autoridade do que um Presidente”, frisou uma fonte citada pela agência Reuters, que indicou que o facto de Hijab estar familiarizado com o modo de funcionamento interno do Estado sírio levou à sua escolha.

“Ele é o candidato mais adequado nesta fase dados os seus longos anos de experiência como governante em contraste com a oposição política no exterior que não possui conhecimentos reais de negociações”, afirmou à agência de notícias uma fonte da oposição envolvida no processo negocial.

Outros manifestaram contudo as suas reticências dadas as suas anteriores ligações ao Baath, partido de Assad.

União para as negociações de janeiro

Durante a conferência de dois dias em Riyadh, organizada no âmbito do acordo internacional estabelecido em Viena de Áustria no mês passado, os movimentos acordarem em unir-se numa Alta Autoridade para as Negociações que os irá representar nas negociações previstas para janeiro.

Entretanto, a Rússia e os Estados Unidos confirmaram a realização, esta sexta-feira em Nova Iorque, de um encontro do grupo de apoio internacional para a Síria que envolve representantes de 17 países.

O encontro ocorre após o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, ter se deslocado no início da semana à Rússia, para reuniões com o seu homólogo russo, Serguei Lavrov e com o Presidente Vladimir Putin, onde tentou superar os diferendos dos dois países em relação ao conflito na Síria.

Enquanto isto, o Presidente sírio disse que a guerra no seu país poderia acabar em menos de um ano, caso não existissem apoios àqueles que pretendem derrubar o seu regime. Entrevistado quinta feira, pela televisão holandesa NPO2, Assad considerou que apenas a Federação Russa e o Irão (seus apoiantes) estão prontos para resolver a guerra que já dura há quase cinco anos.