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Expresso

Internacional

Reino Unido: desemprego ao nível mais baixo da última década

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A economia britância continua a gerar emprego. Só nos três meses terminados em outubro, foram criados mais de 207 mil postos de trabalho. Mas a inflação praticamente a zero mantém salários a crescer mais lentamente do que o esperado

A taxa de desemprego no Reino Unido está ao nível mais baixo da última década, situado-se agora nos 5.2%, mas os salários estão a crescer mais lentamente do que no início do ano, atrasando mais uma vez a revisão prevista das taxas de juro pelo Banco da Inglaterra.

No trimestre até Outubro registaram-se menos 110 mil desempregados do que nos três meses anteriores, fixando o total nos 1,71 milhões de pessoas sem emprego, o nível mais baixo desde 2006. O número de pessoas com emprego atingiu assim o número recorde de 31, 3 milhões, com mais 207 mil postos de trabalho criados em relação ao trimestre anterior. A percentagem de pessoas em idade activa com emprego está neste momento perto dos 74%, a mais alta desde que esta estatística se começou a publicar em 1971.

O Instituto Nacional de Estatística britânico revelou também um decréscimo acentuado no crescimento salarial semanal para 2% no trimestre até Outubro, quando os analistas adiantavam uma progressão de 2.5%. Uma situação que afeta a potencial revisão das taxas de juro, como admitiu o governador do Banco de Inglaterra Mark Carney na apresentação dos dados à imprensa. Carney disse que gostaria de ver os ordenados a subir a 3% durante um ano antes de aumentar a atual taxa de juro, fixada em 0.5%.

"Estamos perto de chegar ao chamado 'pleno emprego' mas o que isso significa para os salários nao é claro que seja positivo. Em teoria, a consolidação do mercado laboral deveria resultar numa subida de salários, mas isso não se verificou", disse Michael Martins, economista do Institute of Directors, uma organização de líderes empresariais.

Para Alan Clarke, economista do Scotiabank, a razão explica-se pela baixa inflação e a requalificação de trabalhadores. “Pode até existir um défice de competências mas a reposta das empresas tende para a requalificação dos seus trabalhadores ou a para ir buscar trabalhadores ao continente" disse à Reuters. Clarke salienta que os aumentos salariais são residuais para os trabalhadore efetivos. Além disso, das conversas que manteve com pessoas a lidar com estagnação salarial uma coisa se destaca: "enquanto o preço dos bens básicos se mantiver não há pressão sobre as empresas para subirem os salários aos seus trabalhadores", acrescentou o economista do Scotiabank.