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Primeiros refugiados sírios com visto da ONU chegam ao Reino Unido

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Uma mulher síria estende roupa num campo de refugiados na Grécia.

YANNIS KOLESIDIS/REUTERS

O Reino Unido não recebe refugiados que já tenham feito a travessia até a Europa, ao contrário do que acontece com os países costeiros onde desembarcam. Esta semana chegaram os primeiros mil selecionados em campos de refugiados da Jordânia e do Líbano no âmbito de um programa das Nações Unidas

Os primeiros 1000 refugiados sírios chegaram ao Reino Unido ao abrigo do Programa de Proteção de Pessoas Vulneráveis, iniciado pela ONU pouco depois do início da guerra cívil que já fez mais de três milhões de desalojados.

O Governo do primeiro-ministro David Cameron já se tinha comprometido em setembro a receber um contigente de 20 mil refugiados ao longo dos próximos cinco anos mas em moldes diferentes dos que estão em vigor em vários outros países europeus. Este contigente é o dobro do número de refugiado que o Reino Unido recebe actualmente. Londres recusou as quotas que a União Europeia propôs para que cada país recebesse um número justo de refugiados. Uma posição contrária à de países como a Grécia e a Itália, que vão integrando refugiados que desembarcam na sua costa. E mesmo da Alemanha e da Suécia que apesar de não serem porta de entrada já autorizaram a entrada de milhares de refugiados.

Críticas a Cameron

Esta relutância valeu a Cameron algumas das mais duras críticas durante o seu segundo mandato, incluindo por parte do representante das Nações Unidas para as migrações internacionais. Peter Sutherland considerou a atitude do governo de "xenófoba" e disse que o mais importante "é encontrar soluções para as condições de vida em que os refugiados se encontram e não discutir a construção de muros e cercas".

"As vidas dos refugiados que chegaram vão mudar para sempre" diz Lisa Doyle, do Conselho Britânico para os Refugiados. Salienta também que "o Reino Unido precisa de fazer mais para ajudar os refugiados que já estão na Europa". Londres sempre defendeu quer permitir a passagem a refugiados que já estejam no espaço europeu serviria de atrativo em vez de dissuasor.

O Expresso tentou saber junto do gabinete de David Cameron se o Reino Unido está a considerar alargar o número de refugiados que irá receber ou se há planos para receber alguns do que já chegaram à Europa mas recebeu apenas uma nota de imprensa rementendo para o apoio monetário que o Reino Unido está a prestar aos refugiados e para os planos de inserção social destes novos cidadãos. "O Reino Unido está a honrar os seus compromissos morais, ajudando os refugiados aqui e nos campos que os abrigam", disse o primeiro-ministro em comunicado. "O Governo já enviou às autoridades locais orçamento suficiente para que estes refugiados tenham acesso a habitação social, saúde e educação", acrescentou.

"O Reino Unido segue um processo de selecção mais restrito que o resto da Europa. Há uma teoria de que a Europa não faz um escrutínio adequado das pessoas que entram no país, o que torna difícil que o Reino Unido venha a ldierar os esforços de relocalização", disse Angeliki Dimitriadi, especialista em imigração do Conselho Europeu de Relações Internacionais ao Expresso.

Em números

Até à data o Reino Unido tinha apenas recebido 216 cidadãos sírios ao abrigo do esquema de relocalização da ONU. Em paralelo com este programa, sob outras formas de proteção, o Reino Unido concedeu asilo a mais 1.868 sírios este ano.

No total, 4980 cidadãos sírios conseguiram autorização para permanecerem no país desde 2011, segundo o ministério de Administrção Interna. Reino Unido abriga cerca de 18 mil refugiados, o equivalente a 194 refugiados por cada 100 mil habitantes. A Alemanha regista um número bem superior na ordem dos 650, a França 386 e Itália 254 por cada 100 mil habitantes.

David Cameron tem tentado contrariar algumas das críticas feitas à sua política em relação aos refugiados garantindo que o Reino Unido disponibiliza quase 1700 milhões de euros para acções humanitárias na Síria, um dos mais elevados orçamentos do mundo ocidental.