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Le Pen publica foto de fotojornalista decapitado, mas arrepende-se

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PATRICK SEEGER/EPA

Líder da extrema direita francesa divulgou a imagem do jornalista James Foley no Twitter, após a Frente Nacional ter sido acusada de ser semelhante ao Estado Islâmico

Marine Le Pen retirou do Twitter a imagem que mostrava James Foley decapitado, após os pais do fotojornalista norte-americano brutalmente assassinado pelo autodenominado Estado Islâmico (Daesh) terem expresso o seu profundo desagrado.

O “Daesh é ISTO!”, escrevera a líder da Frente Nacional, num tweet publicado esta quarta-feira com três chocantes imagens de vítimas Daesh, uma das quais a de Foley, que veio entretanto a retirar.

A polémica publicação na rede social surgira em resposta àqueles que acusam a Frente Nacional, de extrema-direita, de ser semelhante ao movimento jiadista.

“Estamos profundamente perturbados pelo uso não solicitado da imagem de Jim em benefício político de Le Pen e esperamos que a fotografia do nosso filho, assim como as duas outras fotografias explicitas, sejam retiradas imediatamente”, declararam em comunicado os pais, John e Diane Foley. Apesar do pedido, as duas outras imagens de vítimas do Daesh mantêm-se online.

“De facto eu sabia que era uma fotografia de James Foley. Pode ser acedida por qualquer um no Google (…) Soube esta manhã que a sua família pediu que eu a removesse e é claro que eu a retirei imediatamente”, afirmou Le Pen esta quinta-feira.

Lenha para a fogueira

O primeiro-ministro Manuel Valls já considerou “monstruosa” a utilização das imagens, acusando a líder da Frente Nacional de estar a “incendiar o debate público”.

O procurador de Nanterre, da zona ocidental dos subúrbios de Paris, anunciou esta quarta-feira ter lançado uma investigação relativa à “disseminação de imagens violentas” relacionadas com os tweets feitos por Le Pen.

O ministro do Interior Bernard Cazeneuve também apelara para uma ação legal, afirmando que os posts de “propaganda do Daesh são uma desgraça, uma abominação e um absoluto insulto para todas as vítimas do... Daesh”.

James Foley foi capturado na Síria em 2012 e decapitado em agosto de 2014. A maioria dos media coibiu-se, contudo, de divulgar as imagens mais chocantes da sua morte, apresentadas pelo Daesh na internet como parte da sua propaganda de terror.