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Juiz trava decisão de outro juiz: Brasil levanta bloqueio ao WhatsApp

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Detido pelo Facebook, o WhatsApp tem enorme popularidade no Brasil, onde é usado por 93 milhões de pessoas

Um juiz de São Paulo decidiu esta quinta-feira anular a decisão de bloquear o acesso ao WhatsApp no Brasil durante um período de dois dias, medida que já encontrava em vigor desde as 00h

“Não me parece razoável que milhões de utilizadores sejam afetados”, afirmou o juiz, que, em alternativa, sugeriu que a empresa seja multada por se recusar a ceder informações para investigações em curso relacionadas com um gangue ligado ao narcotráfico, segundo referiram os media brasileiros.

A anterior decisão do bloqueio temporário fora proferida pelo Tribunal da 1ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo, da cidade de São Paulo, por ter sido considerado que a empresa falhou repetidamente em cooperar com uma investigação criminal. Detido pelo Facebook, o WhatsApp tem enorme popularidade no Brasil, onde é usado por 93 milhões de pessoas, que utilizam o serviço durante mais do dobro do tempo que os norte-americanos.

Além da troca de mensagens instantâneas, a aplicação de comunicação multiplataforma permite chamadas de voz entre smartphones, o que é muito utilizado tanto por parte da população mais carenciada como por aqueles que querem comunicar com familiares e pessoas próximas que emigraram.

Zuckerberg “abismado” com decisão “radical”

Mark Zuckerberg, dono do Facebook, manifestara-se “abismado” com a decisão “radical” de suspender o acesso ao WhatsApp. “Este é um dia triste para o Brasil. Até agora, o Brasil era um aliado da criação de uma internet aberta. Os brasileiros sempre foram dos mais entusiastas quanto à partilha da sua voz online”, escreveu Zuckerberg.

O diretor-executivo do WhatsApp também lamentou. “Nós estamos desiludidos com a visão de vistas curtas de cortar o acesso ao WhatsApp, uma ferramenta da comunicação para tantos brasileiros que passaram a depender dela, e é triste ver o Brasil a isolar-se do resto do mundo”, escreveu Jan Koum num post no Facebook.

Em fevereiro passado, um outro tribunal brasileiro tomara uma decisão semelhante, que acabou suspensa. Um juiz de Piauí determinou o bloqueio da aplicação no Brasil para forçar a empresa a colaborar com investigações relacionadas com casos de pedofilia.