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Eva, o início do fim de Mourinho

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IAN KINGTON/AFP/Getty Images

“Impulsiva e ingénua.” Estas foram as palavras que Mourinho usou em agosto para descrever a médica do Chelsea - ela saiu pouco depois por causa dele, ele saiu agora talvez por causa dela

Estávamos a 8 de agosto. O Chelsea enfrentava o Swansea City, naquele que era o primeiro encontro a contar para a liga inglesa. Estava 2-2 e a partida caminhava para o fim quando o jogador dos blues Eden Hazard se lesionou. Um pequeno (grande) pormenor: Courtois fora expulso e o Chelsea contava apenas com dez jogadores em campo. Foi então que o árbitro do jogo decidiu chamar o corpo clínico, que entrou imediatamente em campo para assistir Hazard. A consequência foi uma das polémicas que marcou a passagem, agora terminada, de Mourinho pelo Chelsea.

Eva Carneiro era, até então, a médica do clube e entrou em campo acompanhada do fisioterapeuta John Fearn. Eva Carneiro chegara com Villas-Boas e mantivera-se na era Mourinho; resistente às críticas de alguns adeptos, pouco habituados a ver uma mulher naquele mundo de homens, chegou a ver o Chelsea e a Premier League a saírem em sua defesa através de comunicados. Naquele dia, quando pisou o relvado, Eva ganhou duas alcunhas - “impulsiva e ingénua” - e uma suspensão, depois de Mourinho ter concluído, irritado, que não havia razão para assistir Hazard nem para que este saísse das quatro linhas, uma vez que o jogador se encontraria apenas cansado.

Quando ainda havia sorrisos

Quando ainda havia sorrisos

Eddie Keogh / Reuters

As acusações de Mourinho, que atacou a médica na sequência do episódio (“Todos têm de entender o jogo”, explicou), fizeram eco por todo o lado. Sobretudo porque o fisioterapeuta não sofreu as mesmas consequências pela mesma atitude: não foi, como Eva, impedido de estar nos treinos, nos jogos e até no interior do hotel durante os estágios.

No entanto, Eva estava certa: as gravações mostram o árbitro a pedir, por duas vezes, a entrada em campo dos médicos do Chelsea. A regra diz que, se o árbitro pede, o médico deve obedecer. Foi o que Eva fez. As reações não tardaram em surgir: os médicos da liga inglesa reagiram em comunicado, mostrando preocupação por Mourinho poder acreditar que “o resultado é mais importante do que a saúde dos atletas”. Mas mais fortes foram as acusações de sexismo.

Depois de a médica ter decidido rescindir contrato com o Chelsea, a Federação Inglesa de Futebol ilibou Mourinho, por considerar não haver fundamento para acusar o treinador português de tecer comentários discriminatórios. Eva, que se queixou de não ter sido ouvida no decorrer do processo, ripostou: decidiu processar tanto o clube como Mourinho, argumentando ter havido um orquestração do seu despedimento, planeada pelo Chelsea e executada pelo técnico.

Coincidência ou não, a sequência de maus resultados do Chelsea começou e amplificou-se desse episódio em diante. Escreveu-se que Eva era estimada pelos jogadores, que, perante o conflito entre a médica e Mourinho, aproximaram-se do ponto de vista dela e afastaram-se do dele.