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António Costa: Portugal “dos últimos tempos” deu contributo “pobre” à Europa

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LAURENT DUBRULE/EPA

O primeiro-ministro diz que quer “retomar uma trajetória de presença ativa nas instâncias europeias” porque os “nos últimos tempos”, Portugal contribuiu de uma forma “pobre” para a evolução da Europa

António Costa e Passos Coelho estão de acordo num ponto: o lugar de Portugal é na “linha da frente” da construção europeia. O objetivo foi sublinhado pelo ex-primeiro ministro esta manhã, em Bruxelas, e reforçado pelo atual à tarde.

Já no que diz respeito ao contributo que Portugal deu à Europa nos últimos tempos, Costa considera que foi "fraco".

“Depois de anos em que Portugal contribuiu de uma forma tão pobre para aquilo que foi a evolução da Europa, estou certo que vamos poder retomar uma trajetória de presença ativa nas instâncias europeias”.

Questionado sobre se estava a falar dos últimos quatro anos ou se incluía a governação de José Sócrates, Costa respondeu apenas “nos últimos tempos”.

Costa diz que quer ajudar “a mudar a política económica da Europa, de forma a centrar-se mais no crescimento e no emprego”. O primeiro-ministro diz ainda que é preciso responder de forma solidária aos desafios que se colocam nas fronteiras externas, referindo-se à questão dos refugiados, e também ao auxílio à Turquia.

“Estou certo que Portugal poderá dar contributos muito positivos em todos estes domínios que fazem a primeira linha das preocupações europeias”.

Depois de se ter estreado na Cimeira Extraordinária com a Turquia, Costa regressa a Bruxelas para participar no primeiro Conselho Europeu "no formato normal". O primeiro-ministro diz que foi “acolhido calorosamente, como é normal para um país que há 30 anos é membro da União Europeia”.

“A UE não é um espaço monolítico, é um espaço de diversidade e é um espaço democrático”, adianta, não querendo comentar diretamente as palavras de Passos Coelho, que hoje disse ter pedido aos líderes de centro-direita "moderação" nas declarações sobre a mudança de governo em Portugal.

Costa contra exigências do Reino Unido que sejam discriminatórias

As exigências de David Cameron para manter o Reino Unido na União Europeia vão ser discutidas pelos 28 chefes de Estado e de Governo, à hora do jantar. Para António Costa, os princípios da livre circulação e da não-discriminação são linhas vermelhas que não podem ser cruzadas nas negociações com o primeiro-ministro britânico.

“Seria inaceitável que trabalhadores por serem estrangeiros, por residirem há menos tempo que os nacionais, tivessem um tratamento discriminatório”, disse António Costa, referindo-se a uma das quatro exigências de Cameron.

O primeiro-ministro britânico quer que os novos imigrantes – sejam ou não europeus – contribuam durante quatro anos para o sistema social antes de poderem ter acesso aos benefícios sociais, algo que não se aplicaria aos cidadãos britânicos nem aos que já vivem no país.