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Internacional

Presidente decide: Gâmbia passa a ser um Estado islâmico

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BRENDAN SMIALOWSKI / AFP / Getty Images

Para já, é difícil entender quais as implicações práticas desse anúncio num país em que 90% da população é muçulmana

Luís M. Faria

Jornalista

“Em linha com a identidade e os valores religiosos do país, proclamo a Gâmbia um Estado Islâmico”. Com esta declaração, feita num comício próximo da capital na passada sexta-feira, e posteriormente confirmada, o Presidente Yahya Jammeh pôs a nação africana ao lado de países como o Irão ou a Arábia Saudita ou os estados do Golfo.

Cerca de 90% dos 1,8 milhões de cidadãos da Gâmbia – que é vizinho da Guiné-Bissau e o mais pequeno estado da África continental – são já muçulmanos. Mas a declaração agora feita por Jammeh pode ter sobretudo a ver com a necessidade de arranjar apoios financeiros que substituam o dos países ocidentais, nada agradados pelo cadastro do regime em matéria de Direitos Humanos e em especial com a continuação de práticas como a mutilação genital feminina.

Presidente desde que tomou o poder num golpe de Estado em 1994, Jammeh é uma figura por vezes bizarra. Em 2007, chegou a declarar ter descoberto a cura da sida. Agora, apresenta a “conversão” oficial ao islamisno como uma medida para afastar de vez o passado colonial. Garante que os direitos dos cristãos continuarão a ser respeitados. Mas um líder da oposição, Hamat Bah, lembra que a Constituição da Gâmbia determina que o Estado tem natureza secular. Discussões que não parecem incomodar muito os turistas, britânicos e outros, que continuam a frequentar as praias locais.