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Jihadi John está mesmo morto - palavra de presidente

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Decapitação. Jihadi John matou o primeiro refém em agosto do ano passado, o jornalista James Foley

D.R.

Barack Obama revela pormenores dos mais recentes ataques aéreos ao território do autodenominado Estado Islâmico e promete endurecer a guerra ao terror

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Jihadi John, o homem que surgia de rosto tapado por um passa-montanhas nos principais vídeos de propaganda do autodenominado Estado Islâmico (Daesh) está mesmo morto. A revelação foi feita há poucas horas pelo Presidente dos Estados Unidos, na televisão. Um discurso de oito minutos onde Barack Obama fez questão de tornar públicos alguns pormenores operacionais dos ataques aéreos sobre o califado.

Mas voltemos a Jihadi John, ou Mohammed Emwazi, abatido durante um ataque aéreo cirúrgico, realizado há pouco mais de um mês pelas forças aéreas dos EUA. Nessa altura, o Pentágono e Downing Street confirmaram oficialmente a operação na Síria e o óbito quase certo (99%) do britânico de 27 anos, o carrasco do Daesh, figura-propaganda do grupo terrorista que surge em vídeo a decapitar os reféns James Foley, Steven Sotloff, Peter Kassig, David Haines, Alan Henning, Kenji Goto e Haruna Yukawa.

O ataque foi realizado à noite, com um drone no centro de Raqqa, a capital não oficial do califado na Síria, onde vive a maioria dos jiadistas portugueses que se juntaram ao Daesh.

Emwazi era conhecido pelas agências de segurança britânicas alguns anos antes de se juntar à organização terrorista liderada por Abu Bakr al-Baghdadi na Síria. As secretas acreditam que fazia parte de um grupo de pelo menos 12 pessoas, envolvido na procura de fundos e equipamentos para "propósitos relacionados com o terrorismo" na Somália.

Um dos membros da rede, conhecido como J1, falou ao telefone com Hussain Osman, que foi condenado a 40 anos de prisão por ligação a um atentado terrorista falhado em 2005. Recorde-se que o ataque terrorista de 7 de julho de 2005 matou 52 pessoas no metro de Londres. Outro grupo (do qual Osman fazia parte) tentou um segundo ataque duas semanas depois, mas falhou.

Em 2009, Jihadi John foi detido pela polícia depois de aterrar em Dar es Salaam, a capital da Tanzânia, sendo obrigado a regressar à Europa no dia seguinte. Nessa altura, já se encontrava debaixo dos radares da secreta britânica. Foi interrogado na Holanda por um agente do MI5 que o acusou de viajar para África com o objetivo de se juntar na Somália ao grupo terrorista Al-Shabaab, filial da Al-Qaeda que opera no sul daquele país.

Emwasi chegou à Síria em 2013 e rapidamente se tornou uma figura influente na hierarquia do Daesh. Seria próximo do grupo português que se radicalizou em Leyton, bairro da zona leste de Londres e que combate na Síria. A sua morte tem um significado simbólico para as forças da coligação, já que os vídeos onde o britânico surgia a decapitar reféns ocidentais foram um dos grandes trunfos da propaganda terrorista.

Ataque cerrado dos EUA

No seu discurso televisivo, Obama deu pormenores dos ataques aéreos contra o grupo terrorista. "Estamos a atingir o Daesh com mais força do que nunca", anunciou. Em novembro, a coligação lançou mais bombas nos alvos militares dos extremistas do que em qualquer dos meses anteriores.

Fez ainda uma lista com os nomes dos principais líderes do Estado Islâmico abatidos ou colocados “fora de combate”, inluindo Emwazi, “que matou brutalmente cidadãos norte-americanos e de outras nacionalidades”.

Na declaração fez também menção à estratégia de combate aos terroristas não só na Síria e no Iraque como também a nível doméstico, onde contará com alguns simpatizantes, como se provou no atentado em San Bernardino, na Califórnia, onde um casal matou 14 pessoas.

E deixou um aviso aos principais estrategas do Daesh: “Vocês são os próximos.”

  • A morte de Jihadi John. A vida de Mohammed Emwazi

    Os EUA anunciaram a morte do carrasco do Estado Islâmico, num ataque com um drone, ontem à noite, em Raqqa (Síria). Jihadi John era Mohammed Emwazi, um inglês de 27 anos, filho de um taxista do Kuwait, que cresceu na zona oeste de Londres. Um ‘cool kid’ tímido que virou símbolo do terror do radicalismo islâmico